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Bancos aumentam em 142% oferta de crédito consignado para trabalhadores

Carteira do consignado privado ultrapassa R$ 100 bilhões em março, alta de 142% ante 2024, com bancos expandindo a oferta

Em março, a carteira total do consignado para funcionários do setor privado superou a marca de R$ 100 bilhões
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  • Em março, a carteira do consignado privado superou R$ 100 bilhões, com alta de 142% em relação ao mesmo mês de 2024.
  • O saldo corresponde a pouco mais de 25% do consignado para servidores, que totaliza R$ 384 bilhões, indicando espaço para expansão futura.
  • Bancos privados aceleraram as concessões, mesmo com pendências no sistema DataPrev, que processa empréstimos e permite uso do FGTS para amortização em demissões sem justa causa.
  • Entre os privados, o Itaú lidera com carteira de cerca de R$ 19,5 bilhões no primeiro trimestre; a Caixa, ainda em implementação, tem aproximadamente R$ 9 bilhões em consignado CLT.
  • O governo publicou portaria para coibir taxas abusivas; o juro médio do consignado CLT em março ficou em 56,8% ao ano, segundo o Banco Central.
  • Observação: a Fitch aponta incertezas regulatórias e operacionais como entraves à escala do consignado privado, o que pode impactar custos e eficiência do mercado.

Em março, a carteira total do consignado para funcionários do setor privado superou a marca de R$ 100 bilhões. O crescimento anual atingiu 142%, segundo dados mais recentes do Banco Central. A expansão ocorre em meio a uma aceleração da oferta pelas grandes instituições.

O montante corresponde a pouco mais de 25% do saldo do consignado para servidores públicos, que soma cerca de R$ 384 bilhões. Analistas destacam espaço para crescimento, já que há aproximadamente três vezes mais trabalhadores CLT no setor privado.

O setor segue acelerando a concessão, mesmo com pendências operacionais no sistema do DataPrev, que processa os empréstimos. O objetivo é manter crédito relativamente seguro e reduzir riscos de inadimplência.

Consignado é visto como instrumento de menor risco, com parcelas descontadas na folha de pagamento. Há possibilidade de uso de parte do saldo do FGTS para amortizar dívidas em caso de demissão sem justa causa, o que reduz custos para as instituições.

No contexto da Selic alta, bancos priorizam linhas com garantias ou consignado, evitando crédito pessoal sem garantias. A visão é de menor exposição a inadimplência e maior previsibilidade de custos.

Entre os grandes bancos, a rivalidade deve ficar mais acirrada com empresas que possuem quadros de empregados maiores. Marcos Brasiliano Rosa, da Caixa, afirma que bancos com carteira de pessoas jurídicas têm puxado o segmento.

Caixa participa da elaboração do programa, mas ainda está em fases iniciais. A carteira de consignado CLT da instituição alcançou cerca de R$ 9 bilhões, representando uma parcela do saldo total de R$ 114,2 bilhões do consignado.

Entre os privados, o Itaú lidera o segmento, com carteira que saltou de aproximadamente R$ 12 bilhões antes do programa para R$ 19,5 bilhões no primeiro trimestre. O Itaú detém cerca de 20% de participação de mercado.

Bradesco apresenta avanço: o consignado privado representa 6% do portfólio, com saldo de aproximadamente R$ 6,7 bilhões, 6,6% do mercado. O crescimento ocorre apesar de a atuação depender de mudanças regulatórias.

DataPrev e automação

O setor cobra evolução do DataPrev para ampliar a portabilidade entre bancos e a migração automática de contratos quando o trabalhador muda de emprego. Hoje, a troca de empresa exige formalização de novo contrato.

O governo trabalha para automatizar o processo, mas envolve ajustes em sistemas. A Caixa aponta que melhorias começaram em maio e devem ficar operacionais até setembro, com efeitos observáveis já no mês seguinte.

A disputa por garantias vinculadas ao FGTS passa por diferenças entre bancos e governo. Enquanto o governo propõe centralizar via CTPS digital, a indústria quer canais próprios. A liberação prática depende de regulamentação adicional.

Taxas e regulamentação

No mês anterior, o governo publicou uma portaria para coibir taxas consideradas abusivas, limitando o custo total efetivo (CET) a até 1 ponto percentual acima da taxa de juros mensal. Em março, o juro médio do consignado CLT ficou em 56,8% ao ano, segundo o BC.

Analistas da Fitch apontam incertezas regulatórias e operacionais como entraves à escalabilidade do consignado privado. Se persistirem, custos de juros podem subir, reduzindo a eficiência do mercado.

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