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Mercado vê efeito mínimo do bloqueio nas contas públicas

Mercado vê bloqueio de R$ 22,1 bilhões como efeito mínimo para o curto prazo, sem alterar o peso das despesas obrigatórias

Efeito líquido sobre a trajetória fiscal é reduzido porque a revisão veio acompanhada de aumento nas projeções de gastos
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  • Governo aumentou o bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões para o Orçamento de 2026, elevando o bloqueio total para R$ 23,7 bilhões.
  • Principais pressões vêm da Previdência (aproximadamente R$ 11,8 bilhões) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), com acréscimo de R$ 14,1 bilhões.
  • Mercado viu a medida como sinal de controle fiscal com efeito limitado sobre problemas estruturais das contas públicas.
  • Economistas dizem que o bloqueio ajuda a conter o déficit no curto prazo, mas não altera a trajetória de gastos obrigatórios nem resolve o desequilíbrio estrutural.
  • Observa-se um volume expressivo de incentivos fiscais e transferências no governo, com o chamado “pacote de bondades” somando quase R$ 230 bilhões (cerca de 2% do PIB).

O governo confirmou um bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões no Orçamento de 2026, elevando o bloqueio total para R$ 23,7 bilhões. A medida visa compensar a piora das despesas obrigatórias e manter o cumprimento do limite de gastos.

Economistas consultados pelo CNN Money afirmam que a contenção ajuda a reduzir o déficit no curto prazo, mas não muda a trajetória de gastos obrigatórios, que seguem pressionando o orçamento. A Previdência e o BPC aparecem entre os principais focos da elevação.

A atuação do governo é vista como sinal de responsabilidade fiscal, mas gera dúvidas sobre a eficácia a longo prazo. Juliana Inhasz, professora do Insper, ressalta que o ajuste não resolve o desequilíbrio estrutural, pois a maior parte da pressão vem de despesas obrigatórias.

Perspectivas e impactos

Marcela Kawauti, da Lifetime Investimentos, destaca o tamanho inédito do bloqueio: surpreendeu o mercado, que esperava cerca de R$ 11 bilhões. O efeito líquido, porém, fica reduzido pela revisão de gastos.

A economista-chefe da Warren Investimentos aponta que o resultado primário deve sofrer impacto mínimo. Ela também observa que o pacote de bondades do governo, estimado em quase R$ 230 bilhões, sustenta estímulos relevantes na economia.

Segundo Kawauti, a composição das despesas reforça a necessidade de reformas estruturais. O aumento de gastos previdenciários reduz a capacidade de direcionar recursos para áreas com maior potencial produtivo.

A avaliação preliminar da Warren indica que a meta fiscal de 2026 ainda deve ser cumprida, apesar da deterioração das despesas e das previsões de receitas adicionais associadas ao petróleo.

  • Com informações de Vitória Queiroz e Álvaro Augusto, da CNN Brasil

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