- A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, investiga a aplicação de R$ 2,01 bilhões do Rioprevidência em fundos do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
- Ao todo, a investigação aponta transferência de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência ao Banco Master, no período em que o governador Cláudio Castro estava no comando do estado.
- A PF vincula a ação ao desdobramento da Operação Barco de Papel e já havia identificado aportes suspeitos de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Master entre outubro de 2023 e julho de 2024.
- O Rioprevidência, regime próprio de previdência, investe recursos em private equity e ativos de renda fixa, mas aplicações não são protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
- Além do Rio de Janeiro, outros estados e municípios também aplicaram ativos no Master; regras mais rígidas para RPPS passaram a vigorar após o caso.
O Rio de Janeiro investiu cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em ativos do banco Master, alvo de investigação da Polícia Federal. A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça (26), mira aportes de R$ 2,01 bilhões em fundos do Master.
A PF aponta que o montante envolve o período em que o governador era Cláudio Castro (PL). A ação é desdobramento da Operação Barco de Papel, que já havia identificado aportes suspeitos de R$ 970 milhões entre 2023 e 2024.
O Rioprevidência, regime próprio de previdência dos servidores, pode investir em private equity e títulos de risco, conforme normas do CMN. Contudo, esses ativos não contam com proteção do FGC, o que aumenta a exposição a riscos de liquidação.
Para especialistas, o risco não é a retirada total do benefício, mas a fragilidade do patrimônio sob gestão privada. A ausência do FGC amplia a dificuldade de recuperação em processos de liquidação ou disputas judiciais.
Dados do MPS mostram que 19 entes federativos aplicaram recursos no Master, incluindo Amprev, que colocou R$ 400 milhões. Entre cidades, Maceió lidera com R$ 97 milhões, seguida por São Roque e Cajamar.
A operação também acentua a discussão sobre governança em RPPS. Economistas destacam a necessidade de controle de risco e de aderência a padrões de responsabilidade fiscal em previdência pública.
A PF também investiga, em outra frente, a atuação de um conglomerado do setor de combustíveis ligado ao ex-governador. Mandados de busca e apreensão ocorreram no dia 15 de maio, na Operação Sem Refino.
De acordo com autoridades, as decisões de investimento do Rioprevidência merecem acompanhamento técnico rígido. A apuração busca esclarecer se houve favorecimento ou irregularidades no uso de recursos públicos.
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