- Credores e Raízen avançam para fechar um plano de recuperação extrajudicial até o dia 3 de junho, com aprovação pelos credores e homologação pela Justiça prevista para o dia 9 de junho.
- A Shell manterá aporte imediato de R$ 3,5 bilhões; Rubens Ometto não fará o investimento de R$ 500 milhões.
- A proposta mantém a conversão de 45% da dívida de cerca de R$ 65 bilhões em ações, após os bancos abrirem mão da disputa inicial sobre essa condição.
- Os detentores de bonds passaram a negociar novamente, incluindo possibilidades de financiamentos, mas ainda sem acordo definitivo; os credores continuam discutindo os termos finais.
- Em meio à reestruturação, a Raízen tornou públicos materiais para credores, estimando dívida total de R$ 75,3 bilhões em março de 2026, com o plano prevendo distribuição entre novos instrumentos e ações, além de uma possível reorganização societária e alterações na governança.
A Raízen, controlada pela Cosan e pela Shell, intensifica desde hoje as negociações com credores para fechar um plano de recuperação extrajudicial até a próxima quarta-feira (3). A expectativa é que o texto seja apresentado para análise dos comitês de crédito e homologação judicial no dia 9. A Shell mantém o aporte planejado.
A proposta envolve a conversão de 45% da dívida de cerca de R$ 65 bilhões em ações, objetivo inicialmente contestado pelos bancos credores, que recuaram na pressão pela conversão. Aactéria é que o restante do passivo tenha juros entre 7% e 7,5% ao ano.
Os credores locais, além dos detentores de debêntures e CRA, passaram a participar das tratativas após a saída temporária dos bondholders. Embora a maior parte do endividamento seja concursal, alguns créditos com garantia, como CPR e ACC, podem ser cobrados separadamente.
Fato relevante e cenário financeiro
Na prática, a Raízen disponibilizou materiais de apresentação aos credores no site de relações com investidores, para ampliar transparência. O documento confirma dívida total de R$ 75,3 bilhões em março de 2026, com R$ 65,4 bilhões sujeitos ao processo extrajudicial.
A proposta prevê a entrada de R$ 3,5 bilhões da Shell, além de possível aporte adicional de até R$ 500 milhões via Aguassanta Investimentos. Contudo, credores já não contam com esse último aporte. A estrutura envolve troca de parte do passivo por novos títulos com vencimentos entre 2032 e 2035.
Gestão, governança e desinvestimentos
A estratégia prevê reorganização societária com separação entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis, além de venda de ativos e desinvestimentos, inclusive de usinas no Brasil e ativos na Argentina. A governança passaria a ter maior influência dos credores, com indicação de parte do conselho.
A atual diretoria permaneceria durante a implementação, sob supervisão de representantes dos credores. A perspectiva é encerrar a reestruturação em 2027, com conclusão da segregação de negócios até o fim daquele ano.
Contexto de mercado e próximos passos
Embora haja crise financeira, a empresa enfatiza visão positiva de longo prazo, citando crescimento de demanda por etanol e açúcar. Dados operacionais apontam melhoria de eficiência, com EBITDA por metro cúbico ajustado crescendo e custos administrativos reduzidos.
O acordo entre Raízen, Shell e credores permanece em aberto, com várias cláusulas sujeitas a negociação final. Raízen e Cosan não comentaram a respeito, enquanto a Shell reiterou apoio à recuperação extrajudicial em comum acordo.
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