- O universo de private equity tem cerca de US$ 3,7 trilhões em capital já comprometido, ainda não investido, e o Brasil aparece como destino com apetites internacionais mais expressivos do que nos últimos anos.
- Em Nova York, executivos discutiram que o interesse não depende apenas de notícias de curto prazo, mas de mudanças estruturais no fluxo de capitais para emergentes, com o Brasil em evidência.
- A previsibilidade jurídica e institucional é apontada como crucial para atrair e manter investimentos de longo prazo, exigindo regras claras, contratos estáveis e um arcabouço legal que resista a ciclos políticos.
- O desafio de devolver o capital investido persiste: saídas como abertura de capital, venda para fundos ou compradores estratégicos são necessárias, e o mercado de ações passou anos sem ofertas iniciais.
- A sinalização recente, como a oferta secundária da Compass Gás e Energia de R$ 3,2 bilhões na B3, é vista como passo a ser avaliado, com a expectativa de mais ofertas no futuro, desde que haja continuidade de reformas e controle da inflação.
Após uma semana em Nova York para reuniões da Brazil Week, o interesse internacional por ativos brasileiros se consolidou como tema central entre bancos de investimento, gestores e alocadores globais. O ambiente apontado é de apetite real por Brasil, impulsionado por mudanças macro e redesenominação de cadeias produtivas.
Dados de mercado ajudam a entender o cenário. O capital comprometido, conhecido como dry powder, na indústria global de private equity soma cerca de US$ 3,7 trilhões, segundo a Preqin, quase o dobro de 2019. Esse montante precisa encontrar destinos ao longo do tempo.
A previsibilidade jurídica é apontada como elemento-chave para atrair investimentos de longo prazo. Instituições brasileiras teriam ajudado a criar um arcabouço estável que inspira confiança em ciclos políticos distintos, ampliando a percepção de continuidade em políticas públicas.
O foco estratégico está no Brasil como destino de capital, não apenas pela demanda imediata, mas pela qualidade da governança e gestão empresarial. A ideia é que avanços institucionais resultem em maior investimento e contribuição para emprego e arrecadação.
Da visão prática, o retorno para o investidor depende também da capacidade de retorno de capital. O caminho envolve venda de participações via abertura de capital, venda a outros fundos ou a compradores estratégicos, liberando recursos para novos fundos.
No cenário recente, a Bolsa brasileira ainda reage a ciclos de juros. A Selic, que chegou a 15% em 2025, caiu para 14,5% em abril. A Compass Gás e Energia fez a primeira oferta secundária na B3 desde 2021, confirmando sinais de recuperação, mas sem indicar uma virada estrutural completa.
Para acompanhar o processo, é necessário manter o ritmo de ofertas na Bolsa, com convergência de preço entre comprador e vendedor. O ambiente inflacionário permanece desafiador, com IPCA acima da meta e petróleo pressionando os preços. Projeções para a Selic apontam tratar-se de ajuste gradual ao longo do tempo.
O quadro aponta que 2026 pode ser um ano-chave para a classe de private equity no país. O capital global tende a entrar, atraído por valuations mais ajustados e pela escassez de alternativas, enquanto a saída encontra caminho com maior liquidez no mercado doméstico.
Vale observar: o episódio de Nova York abriu uma janela de oportunidades, mas o sucesso depende de continuidade de políticas estáveis no Brasil. O ganho real está em manter a previsibilidade e avançar em governança, aprovação regulatória e qualidade de gestão.
Marina Procknor, sócia do Mattos Filho e vice-presidente da ABVCap, reforça a necessidade de seguir fortalecendo o ambiente de negócios para manter a janela aberta.
E-mail da assessora para contato permanece disponível para informações adicionais.
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