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Bitcoin Pizza Day: marco que impulsionou a revolução das criptomoedas

Bitcoin Pizza Day ilustra a transição para um sistema financeiro global que funciona 24/7, impulsionada pela adoção no Brasil e pela inclusão financeira

Thiago Sarandy — Foto: Arte / Valor Investe
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  • Em 22 de maio de 2010, Laszlo Hanyecz trocou 10.000 bitcoins por duas pizzas, considerada a primeira transação comercial com criptomoeda.
  • A história simboliza a circulação de dinheiro sem intermediários, com regras definidas por código, ajudando a ver o início de uma revolução financeira.
  • A criptoeconomia ganhou scale: estima-se que cheguemos a quase um bilhão de usuários no mundo; 151 países são avaliados pelo Índice Global de Adoção de Criptomoedas da Chainalysis.
  • No Brasil, o Banco Central indica que o Pix movimentou US$ 6,9 bilhões no primeiro trimestre, mais do que o dobro do mesmo período de 2025, enfatizando a adoção local.
  • Criptomoedas operam 24 horas por dia, 7 dias por semana, permitindo receber pagamentos em stablecoins e converter via Pix a qualquer hora, sinalizando uma mudança estrutural no uso do dinheiro.

O Bitcoin Pizza Day relembra a primeira transação comercial com criptomoeda, realizada em 22 de maio de 2010, quando Laszlo Hanyecz trocou 10.000 BTC por duas pizzas. O marco mostrou que dinheiro digital pode circular sem intermediários, regido por código.

Quase 16 anos depois, a história saiu do nicho para um movimento financeiro relevante. Estimativas indicam que o universo de usuários pode chegar a quase 1 bilhão neste ano, segundo dados de referência da Statista.

Segundo o Banco Mundial, 1,3 bilhão de adultos ainda não têm acesso a serviços bancários. A inclusão financeira permanece desigual, com bilhões sem crédito, pagamentos digitais ou juros sobre depósitos em países de renda baixa e média.

O mapa da adoção mostra Brasil, Índia, Turquia e Vietnã entre os maiores players, ao lado de Estados Unidos, Japão e Reino Unido, conforme o Índice Global de Adoção de Criptomoedas da Chainalysis. O Brasil se destaca no contexto regional.

No Brasil, o Pix representa um marco de pagamento rápido e gratuito entre pessoas. Dados do Banco Central mostram que, no primeiro trimestre, a modalidade movimentou US$ 6,9 bilhões, mais do que o dobro de igual período de 2025.

A transformação não se resume a transferências. Criptomoedas operam 24/7, sem feriados ou horário comercial. O dinheiro fica disponível a qualquer momento, com programação possível, o que altera a gestão financeira individual.

Isso implica que trabalhadores podem receber em stablecoins, converter para reais via Pix e usar o dinheiro de imediato, sem esperar dias nem depender de bancos. A prática já é cotidiana para milhões de pessoas.

Relatórios da Chainalysis indicam que, em mercados de renda média e baixa, a adoção cresceu mais, impulsionada pela busca por acesso financeiro, eficiência e alternativas aos sistemas tradicionais. O movimento cresce de baixo para cima.

O ecossistema cripto não depende de imposição regulatória para avançar; cresce com curiosidade, cooperação entre pares e confiança. O Bitcoin Pizza Day continua relevante como símbolo de uso prático da tecnologia.

No Brasil, a narrativa já se traduz em mudanças reais: uma pizza de 2010 é lembrança, mas o sistema que não dorme está redefinindo, em tempo real, como as pessoas guardam, movem e potencialmente multiplicam seu dinheiro.

Thiago Sarandy é Diretor-Geral da Binance no Brasil.

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