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CEO de incorporadora diz que acreditar no futuro é essencial para comprar terreno

Sindona transforma incorporadora em plataforma de desenvolvimento, buscando fundos e parcerias para destravar obras diante de juros elevados e mudanças no Minha Casa, Minha Vida

O empresário Bruno Sindona, CEO da Sindona Incorporadora
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  • A Sindona Incorporadora está se transformando em uma plataforma de desenvolvimento de projetos, terceirizando obras e atuando junto a construtoras para destravar obras do Minha Casa, Minha Vida.
  • O CEO Bruno Sindona é também presidente do Instituto Cidades e cozinha fundos imobiliários para recuperação de ativos e participação em PPPs de retrofit em grandes centros.
  • A empresa criou um spin-off chamado Sin e segmentou as atividades, saindo de uma estrutura estritamente incorporadora para focar em projetos de uso misto e data centers, com parcerias externas.
  • O setor mudou: mão de obra atua de forma mais flexível, com regime 4×3 e autogestão, enquanto a inteligência artificial entra para reduzir retrabalho e ampliar produtividade no canteiro.
  • A companhia trabalha em um fundo de ressignificação urbana com Paulo Humberg, avalia captar recursos apenas quando houver melhora de juros e não espera abrir capital no curto prazo.

A Sindona Incorporadora está passando por um redesenho estratégico para atuar como destravadora de projetos, abrindo espaço para parcerias com construtoras que enfrentam entraves técnicas ou burocráticos. O foco permanece no Minha Casa Minha Vida, mas a operação ganhou nova configuração.

Bruno Sindona, CEO da companhia, destaca o DNA da empresa, que nasceu para retomar obras interrompidas em Osasco, após falência da construtora responsável. Hoje ele também preside o Instituto Cidades, em Brasília, que atua como mediador de interesses do mercado.

A empresa, com quase 20 anos de atuação, tem estruturado fundos de investimento imobiliário para recuperar ativos abandonados em grandes centros e disputar PPPs de retrofit, inclusive em Recife, com empresas ligadas a Paulo Humberg.

A expansão do Minha Casa Minha Vida para renda de até R$ 13 mil foi debatida pela diretoria. A visão é de que o crédito para a classe média é limitado e que o uso do FGTS pode favorecer o momento, desde que juros estejam em patamares aceitáveis.

Atualmente, a Sindona vive o que classifica como estágio decisivo. O grupo saiu da concepção de incorporadora para se tornar uma plataforma de desenvolvimento de projetos, com novos modelos de atuação.

Para viabilizar esse movimento, houve o spin-off da incorporadora para a unidade Sin, mantendo a experiência em obras, mas buscando projetos de data centers e uso misto em Osasco, com shopping, residências e escritórios.

A mudança envolve a flexibilização da mão de obra: empreiteiros e microempreendedores substituem estruturas rígidas. A empresa optou por terceirizar obras e trabalhar em consórcio com gestores especializados.

O regime de trabalho também ganhou formato com a adoção de IA e planejamento em jornadas alternativas. Uma equipe opera em regime 4×3, com cadência de etapas entre diferentes lajes de concreto, mantendo a produtividade por projeto.

Segundo Sindona, a avaliação é de que a percepção de escassez de mão de obra não é apenas factual, mas relacionada à forma de contratar. Custos de diárias elevadas dificultam a competitividade da construção civil no Brasil.

A empresa aponta que a melhoria da produtividade depende de condições adequadas no canteiro. A IA reduz retrabalho e acelera entregas, desde que haja evolução nas condições de trabalho e valorização do trabalhador.

Sobre o futuro, o executivo afirma que não vê abertura de capital para incorporadoras, pela precificação e ciclos do setor. Em parceria com Humberg, a Sindona trabalha na criação de um fundo de ressiginificação urbana para ativos problemáticos.

A ideia é adquirir imóveis e terrenos que impeçam o desenvolvimento urbano, transformar esses ativos e redirecionar seus usos para oportunidades mais eficazes, com liquidez e estratégia de longo prazo.

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