- Economista Sérgio Vale, chefe da MB Associados, aponta que choques simultâneos — petróleo alto, El Niño e custos para empresas — reduzem espaço para cortes na Selic e colocam alta da taxa de juros no radar do Banco Central.
- Inflação segue acima da meta e os choques devem se manter até 2027, o que contamina combustíveis, logística e insumos industriais, segundo a análise.
- El Niño tende a pressionar alimentos com defasagem, dificultando alívio esperado pelo mercado.
- Com isso, a inflação deixa de ser residual e volta a direcionar a política monetária, elevando a pressão sobre o BC para recalibrar o tom da comunicação.
- Se os choques persistirem, o ciclo de cortes pode ficar comprometido e há o risco de a Selic estacionar ou subir, conforme os dados confirming ou contradizem a tese.
A inflação no Brasil permanece sob pressão, segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. Em entrevista à BM&F Bovespa News, ele aponta três choques simultâneos: petróleo elevado, efeitos do El Niño e custos crescentes para empresas. O resultado é menos espaço para cortes na Selic e maior probabilidade de alta da taxa.
Vale sustenta que os choques não são temporários nem isolados. O petróleo continua pressionando combustíveis e logística; o El Niño pode elevar preços de alimentos em 2027; as empresas repassam custos com menor resistência. O mercado reage ao risco, não apenas ao discurso.
Inflação deixa de ser residual e volta ao centro da política monetária
Para o economista, o BC enfrenta um dilema que vai além da ancoragem de expectativas. A inflação cheia opera acima da meta, e os choques devem se intensificar até 2027. A elevação do petróleo contamina insumos, e o El Niño pressiona alimentos com defasagem.
A combinação de fatores força o BC a recalibrar o tom. O que antes era choque transitório passa a pressão persistente, segundo Vale. A duração e a intensidade dos fatoraveses podem ter sido subestimadas, e o problema reside na previsibilidade.
O que estava em jogo era a trajetória de convergência à meta
Antes, a expectativa era de trajetória mais clara de queda da inflação, com novos cortes na Selic. Vale argumenta que essa narrativa perde força diante do duplo choque que se sobrepõe e se reforça.
O petróleo não cede, o clima não coopera e o repasse de custos avança. Empresas reajustam preços com demanda resiliente e crédito ainda atraente. Resultado: inflação deixa de ser residual e volta a ditar a política monetária, enquanto o caixa cobra.
Quem perde é o ciclo de cortes; quem ganha é a volatilidade
Se os choques persistirem, a discussão migra da velocidade dos cortes para o risco de alta da taxa de juros, no Brasil e no exterior. A inflação de alimentos, puxada pelo El Niño, pode se consolidar em 2027. O petróleo mantém pressão sobre combustíveis; custos empresariais seguem em alta.
O BC perde espaço de manobra. A Selic pode estacionar ou subir, caso os choques se confirme. O mercado já precifica esse risco, e a volatilidade tende a crescer conforme novos dados surjam. Quem esperava cortes previsíveis precisa recalibrar expectativas.
O jogo mudou: a inflação volta a comandar a política de juros
Vale conclui que a inflação pressionada por choques simultâneos reduz o espaço de manobra do BC. A alta da Selic, antes improvável, reaparece como possibilidade caso os choques se mantenham. A preocupação não é apenas com a inflação atual, mas com as expectativas para 2027.
A entrevista completa, disponível no canal BM&CMC News, detalha cada choque e seus impactos na política monetária. O recado é claro: ignorar a inflação de hoje pode encarecer os juros amanhã.
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