- Brasil pode transformar florestas em ativo econômico global, conectando carbono, água e restauração florestal, segundo estudo sobre o conceito de “contínuo florestal”.
- A pesquisa defende enxergar as florestas como patrimônio produtivo, com 215 milhões de hectares de vegetação nativa preservados dentro de propriedades privadas, e ressalta que o valor vai além dos créditos de carbono.
- O estudo será apresentado nas COPs da ONU sobre Clima, Biodiversidade e Desertificação, buscando ampliar o debate para serviços ecossistêmicos, como segurança hídrica e proteção de solos.
- A água é apontada como recurso estratégico: o Brasil é um grande detentor de água doce, concentrada em áreas florestadas, com potencial de gerar valor econômico significativo.
- Projetos de restauração florestal e mecanismos de monetização — incluindo mercados de carbono, pagamentos por serviços ambientais e créditos — poderiam movimentar até US$ 141 bilhões no país até 2050.
Brasil pode transformar florestas em ativo econômico global, aponta estudo
A segunda edição do estudo O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global propõe enxugar a visão de crise ambiental e revelar as florestas como ativo estratégico. O relatório sugere que o capital natural brasileiro pode atrair investimentos por meio de serviços como água, carbono e restauração.
Coordenado por instituições como Instituto Arapyaú, Agroicone, Itaúsa, Ibá, Imazon e Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, o texto será apresentado nas COPs da ONU deste ano. Anergia de base: transformar patrimônios naturais em riqueza mensurável pelo mercado.
Contínuo florestal e ativos integrados
O estudo substitui o conflito entre agro e conservação por um conceito denominado contínuo florestal. Diversos usos da terra — áreas produtivas, florestas plantadas, reservas legais, unidades de conservação e terras indígenas — formam um sistema conectado.
Segundo Roberto Waack, presidente do Conselho do Instituto Arapyaú e coordenador, o Brasil guarda um dos maiores estoques de capital natural, ainda sem mecanismos plenos de monetização. O objetivo é ampliar o escopo para além do mercado de carbono.
Além do carbono: água e infraestrutura natural
Entre os serviços valorizados, a água aparece como pilar decisivo para produção agropecuária e abastecimento urbano. O estudo cita evidências de que a Amazônia Legal gera bilhões de dólares em benefícios hídricos anuais para a agricultura brasileira.
A ideia é enxergar florestas como infraestrutura natural. Assim como estradas e portos, elas suportam produção, energia e resiliência climática, mas seus serviços raramente aparecem nos balanços.
Como monetizar o capital natural
O relatório aponta a necessidade de mecanismos que remuneren os serviços das florestas. Mudanças regulatórias, métricas de mensuração e instrumentos de crédito são citados como caminhos importantes.
Investidores do setor financeiro já demonstram interesse em operações florestais, sinalizando migração de foco da agenda ambiental para a econômica. Grandes bancos nacionais e estrangeiros aparecem entre os atores citados pelos autores.
Transformando áreas degradadas em ativos
Parte do potencial reside em áreas de baixa aptidão agrícolas ou degradadas que poderiam receber projetos florestais sem competir com a produção de alimentos. A integração entre lavoura, pecuária e florestas ganha espaço como modelo produtivo.
Modelos de baixo carbono na cadeia produtiva também começam a ganhar adesão, com demanda crescente por proteínas, grãos e outros produtos sustentáveis. A convergência entre produção e conservação é vista como tendência emergente.
Perspectivas para 2050 e impacto econômico
O estudo projeta que restauração florestal e serviços ecossistêmicos podem movimentar até US$ 141 bilhões no Brasil até 2050, ao considerar créditos de carbono, biomateriais, alimentos e bioenergia. O mercado financeiro aparece como impulsionador dessa agenda.
Para os autores, o Brasil tem condições de liderar essa transição. Com capital natural já identificado, tecnologia e um arcabouço jurídico em evolução, o país pode ampliar a participação econômica das florestas no cenário global.
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