- O ex-embaixador Rubens Barbosa afirma que a provável taxação dos EUA sobre produtos brasileiros é uma decisão unilateral, não resultado de negociação bilateral.
- A investigação, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio Exterior, tende a gerar novas tarifas independentemente dos argumentos do Brasil.
- O Brasil já apresentou contrarrazões em Washington sobre deslealdade comercial, impactos às empresas americanas e questões digitais, mas não houve abertura para negociação direta.
- A margem de mudança substancial nas tarifas é considerada reduzida; a medida deveria alcançar vários países, não apenas o Brasil.
- Barbosa recomenda reação brasileira com diversificação de relações comerciais e negociação sem retaliação, buscando defender interesses nacionais.
O ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, afirmou que a nova possibilidade de taxação de produtos brasileiros é uma decisão unilateral dos EUA, não decorrente de negociação. A avaliação foi dada em entrevista ao VEJA em Foco.
Barbosa disse que o processo, baseado na Seção 301 da Lei de Comércio Exterior, tende a resultar em novas tarifas, mesmo com os argumentos apresentados pelo Brasil em Washington no ano passado. Não houve abertura para negociação direta.
Ele destacou que o Brasil já foi convidado a apresentar esclarecimentos, reforçando que houve reuniões em Washington sobre deslealdade comercial, impactos às empresas americanas e questões digitais.
Espaço para reversão?
Segundo o ex-embaixador, a chance de mudança substancial nas tarifas é pequena. Ainda assim, haverá uma nova apresentação do Brasil antes da decisão final, com o objetivo de rebater as acusações, segundo Barbosa.
Ele ressaltou que a medida alcança vários países, não apenas o Brasil, e que a narrativa das tarifas não depende exclusivamente do Brasil. Os argumentos do governo brasileiro foram considerados válidos, mas não alterariam o desfecho.
Motivação da decisão?
Barbosa distingue entre política e comércio: a taxação estaria ligada a uma linha de atuação comercial dos EUA. Ele ressaltou sinais de endurecimento da relação bilateral sob a administração Trump, sem citar fontes específicas.
Ainda assim, o ex-embaixador destacou que o Brasil deve defender seus interesses de forma oportunista, mantendo relação com outros parceiros comerciais sem recorrer a retaliações.
Como o Brasil deve reagir
Para Barbosa, a estratégia brasileira deve priorizar diversificação de mercados e defesa de interesses sem retaliação. O peso das exportações brasileiras para os EUA vem diminuindo, sinalizando espaço para negociações com México, Europa e Ásia.
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