- COP31 será realizada em novembro, em Antália (Turquia; principal desafio é mobilizar recursos para proteger e restaurar as florestas.
- No III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, participantes destacaram o financiamento como gargalo, com instrumentos existentes, porém fragmentados e sem escala.
- Dados da ClimateWorks mostram que, em 2023, foram cerca de US$ 10 bilhões em doações climáticas globais, com aproximadamente US$ 100 milhões destinados ao Brasil; segundo o WEF, mais de cinquenta por cento do PIB global depende de serviços ecossistêmicos e o desmatamento continua sendo vetor das mudanças climáticas.
- O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou que já há consenso internacional sobre interromper e reverter a perda de florestas até 2030, mas é preciso acelerar a implementação.
- A ex-ministra Sonia Guajajara defende que mecanismos de financiamento incorporem proteção territorial e comunidades indígenas, alertando para riscos de mineração sem salvaguardas socioambientais na transição energética.
Com a COP31 marcada para novembro em Antália, Turquia, representantes do governo, lideranças indígenas e especialistas em finanças sustentáveis discutem um passo atrás na agenda climática: a mobilização de recursos para proteger e restaurar florestas, em vez de apenas negociar metas.
O debate ocorre durante o Rio Nature & Climate Week, no III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, em um momento em que o Brasil busca transformar compromissos da COP30, realizados em Belém, em ações concretas.
Dados indicam que a preservação de ecossistemas ganhou peso além da pauta ambiental, visto que mais da metade do PIB global depende de serviços da natureza, segundo estudo apresentado no fórum pelo Fórum Econômico Mundial. O desmatamento segue entre os principais vetores da mudanças climáticas.
Financiamento como principal entrave
Para o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, já existe consenso internacional sobre interromper e reverter a perda de florestas até 2030, mas a execução permanece o desafio. A implementação precisa ganhar velocidade para cumprir compromissos.
Especialistas destacam que os instrumentos financeiros existem, mas operam de forma fragmentada e ainda não atingem escala suficiente para acompanhar as metas climáticas. A avaliação aponta necessidade de conectá-los mais claramente a resultados de conservação.
Renata Piazon, CEO do Instituto Iara, aponta que o tema segue com linguagem excessivamente técnica, dificultando o alinhamento com investidores. A agenda climática precisa ser entendida como parte de desenvolvimento econômico, segurança alimentar, saúde e energia.
Fluxos de recurso e participação indígena
Dados da ClimateWorks Foundation mostram doações filantrópicas globais de cerca de US$ 10 bilhões em 2023, com aproximadamente US$ 100 milhões destinados ao Brasil, que abriga a maior floresta tropical do mundo e tem papel estratégico para metas climáticas globais.
A ex-ministra Sonia Guajajara, deputada federal, defende que mecanismos de financiamento integrem proteção territorial e fortalecimento de comunidades indígenas. Ela ressalta que a proteção de territórios indígenas é relevante para mitigação, e alerta para riscos da transição energética associada à mineração sem salvaguardas socioambientais.
Segundo a líder indígena, a expansão da mineração de minerais considerados estratégicos para a economia de baixo carbono não pode reproduzir conflitos históricos com povos tradicionais. A COP30 consolidou o papel desses territórios na estratégia de preservação, de forma a evitar prejuízos sociais.
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