- A possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre têxteis e confecção brasileira preocupa o setor, pois impactaria nichos de alto valor agregado e dificultaria a internacionalização de marcas nacionais.
- A Abit afirma que a sobretaxa prejudicaria contratos já negociados e encareceria produtos brasileiros, afetando especialmente quem exporta para o terceiro maior destino do setor.
- Segmentos como moda praia e moda íntima seriam diretamente atingidos, com risco potencial de queda de empregos nas empresas muito dependentes do mercado americano.
- O varejo, representado pela Abvtex, acompanha o efeito sobre a cadeia de suprimentos: a competitividade da indústria é vista como essencial para manter as prateleiras no Brasil, mesmo diante de possíveis mudanças.
- O cronograma do USTR prevê audiências e prazos de comentários em junho e julho, com decisão final após o processo.
O setor têxtil e de confecção brasileiro expressou preocupação com a possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, que afetariam nichos de alto valor agregado e a estratégia de internacionalização de marcas nacionais. A discussão ocorre em meio a um cenário de competição global e tem impacto direto nas cadeias de suprimento do varejo de moda.
A Abit destacou que tarifas adicionais elevam o custo dos produtos nacionais e prejudicariam contratos já negociados, além de colocar em risco empregos em empresas com forte concentração de exportação para os EUA. O mercado americano é visto como vital para moda praia e moda íntima, segundo Fernando Pimentel, diretor-superintendente da associação.
Para o varejo, a Abvtex mantém monitoramento sobre impactos na cadeia de fornecedores locais. Edmundo Lima, diretor executivo, afirma que a competitividade da indústria sustenta as prateleiras no Brasil e avalia efeitos de mudanças no fluxo comercial sobre fornecedores e compradores. Os impactos não se resumem a preço ao consumidor.
Mesmo com a possibilidade de redirecionar produção para o mercado interno, a percepção é de que não haverá queda imediata de preços. Oscilações cambiais, custos logísticos e variação de insumos importados podem neutralizar ganhos com maior oferta doméstica, tornando prematura qualquer avaliação de impacto líquido.
As entidades destacam a necessidade de acompanhar o cenário interno, inclusive diante da concorrência com plataformas digitais asiáticas, que Fernando Pimentel classifica como um desafio que pode reduzir a geração de riqueza no país. A atenção é também para a evolução do comércio externo e seus efeitos competitivos.
Cronograma do processo do USTR
- 22 de junho: prazo para pedir participação em audiência pública
- 1º de julho: prazo final para comentários escritos
- 6 de julho: audiência pública nos EUA sobre as tarifas propostas
- Decisão final do governo americano sobre as medidas ainda está pendente
As autoridades brasileiras acompanham com cautela o desenrolar do tema, que pode alterar o equilíbrio entre exportação, produção local e competitividade no varejo de moda. Fontes associativas reiteram o compromisso com a transparência e a comunicação de impactos aos agentes do setor.
Entre na conversa da comunidade