- O governo dos Estados Unidos propôs aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, conforme anúncio do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
- Café verde, café torrado e moído permaneceriam isentos; o café solúvel é o principal alvo na proposta de sobretaxa.
- O Cecafé diz haver espaço para negociações e a possibilidade de ampliar a lista de exceções, incluindo o café solúvel.
- A Abrafrutas prefere aguardar a reunião prevista para julho antes de se manifestar oficialmente sobre o tema.
- A proposta decorre de investigação pela Seção 301; audiência ocorreu e a decisão final deve sair em quinze de julho.
A proposta do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros provocou cautela no setor agroindustrial brasileiro. A divulgação ocorreu nesta terça-feira, 2, e aponta para uma possível sobretaxa por meio da Seção 301 da lei de comércio de 1974. A iniciativa surge no âmbito de investigação em curso.
O setor cafeeiro observa espaço para negociação. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mantém café verde, torrado e moído na lista de itens isentos. O café solúvel aparece como principal alvo da tarifa de 25%, segundo Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, em entrevista ao Estadão/Broadcast.
Representantes do Cecafé participaram de audiência pública promovida pelas autoridades dos EUA e seguem dialogando com a associação norte-americana National Coffee Association (NCA). A divulgação do relatório preliminar é vista como oportunidade para ampliar a lista de exceções e incluir o café solúvel, afirmou Matos.
Espaço para negociações
Matos reforçou a importância de intensificar as negociações diplomáticas entre Brasil e EUA, envolvendo MDIC, MRE, Agricultura e a ApexBrasil. A abertura da audiência pública foi considerada positiva por permitir a apresentação de argumentos dos setores afetados.
A Abrafrutas, associação brasileira de produtores e exportadores de frutas, adotou postura de cautela. Em nota, afirmou que prefere aguardar a reunião de julho antes de se manifestar formalmente sobre o tema. A entidade sinalizou que pretende avaliar impactos com mais detalhes.
A proposta brasileira decorre da investigação da Seção 301, com a sugestão de tarifa de 25% porém mantendo uma extensa lista de exceções, incluindo aviões, suco de laranja e café. Uma nova audiência está marcada para 6 de julho, e a decisão final está prevista para 15 de julho.
Perspectivas para o setor de frutas
Com as mudanças em aberto, o setor de frutas aguarda desdobramentos antes de confirmar posicionamento. O objetivo é entender impactos diretos na competitividade brasileira e possíveis reajustes de preço no mercado internacional.
As partes envolvidas destacam que o cenário pode evoluir, com alterações na lista de produtos isentos ou na própria tarifa. O governo brasileiro acompanha as tratativas e participa de diálogos com autoridades americanas para evitar impactos mais severos.
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