- João Luiz Braga, sócio da Encore Asset, afirma que a Selic chegou a 14,5% após dois cortes, marcando o pior momento da inflação em duas décadas.
- O otimismo inicial com queda de juros deu lugar à cautela diante de conflitos internacionais que elevaram o petróleo e fertilizantes, pressionando a inflação.
- O INCC fica próximo de 10% e a inflação de alimentos deve sustentar pressões nos índices ao longo do ano.
- Braga diz que juros altos não resolvem choques externos e podem ser cruéis para as empresas, que enfrentam destruição de demanda; o Banco Central tende a ser conservador por mandato de inflação.
- A tese de redução dos juros continua válida e pode ser muito positiva para a Bolsa, mas foi postergada pelo cenário atual.
O juros no Brasil vive o pior momento dos últimos 20 anos, segundo João Luiz Braga, sócio da Encore Asset. Em entrevista ao Café com Investidor, ele afirmou que, com a Selic em 14,5% após dois cortes, o cenário que parecia favorável no início do ano mudou diante de choques externos.
Braga destacou que a inflação voltou a subir por fatores como petróleo e fertilizantes. Observou ainda alta do INCC, que mede a inflação da construção civil, e pressão sobre os alimentos, com expectativas de piora para o setor do agronegócio ao longo do ano.
Desafios gerados por choques externos
Para o analista, há diferença entre inflação de demanda e choques de oferta. Manter juros elevados não resolve problemas de oferta causados por tensões geopolíticas, como o fechamento do Estreito de Ormuz. Essa combinação pode ser desvantajosa para as empresas.
Braga avaliou que, por ter mandato centrado apenas na inflação, o Banco Central tende a ser conservador. Mesmo assim, a tese de redução dos juros continua válida e pode favorecer a Bolsa, embora tenha sido adiada pelo cenário atual.
Contexto e próximos passos
O Café com Investidor é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil, apresentado por Ralphe Manzoni Jr. Os episódios inéditos vão ao ar quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money.
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