- Petros planeja ampliar exposição internacional, ainda baixa nos planos jovens (inferior a 0,5%) e avalia começar a investir em ativos no exterior, após avanço do câmbio.
- A decisão de não aumentar a exposição externa antes ajudou a fundação com a valorização do real em 2025 e 2026; agora há espaço para estudar mais internacionalização.
- Para investir em fundos internacionais, a Petros exige pelo menos 36 meses de histórico e US$ 5 bilhões sob gestão, passando por diligência sobre reputação, qualidade e desempenho.
- Nos planos maduros, a imunização segue foco central para reduzir risco, com cerca de 90% dos planos já imunizados; déficit nesses passos ainda é tema de estudo e discussão interna.
- Nos planos de contribuição variável, o Petros-2 rendeu 15,25% em 2025, maior resultado desde sua criação; renda fixa continua predominante (cerca de 78%) e renda variável representa quase 12%.
A Petros, fundo de pensão que administra mais de R$ 153 bilhões para cerca de 133 mil participantes, prepara uma estratégia para ampliar a exposição internacional de sua carteira. A instituição avalia acelerar investimentos no exterior, hoje pouco expressivos nos planos maduros e jovens.
A mudança ocorre em meio a uma rentabilidade histórica em 2025, com o desempenho consolidado superando R$ 15 bilhões. A diretoria de investimentos analisa oportunidades de ativos fora do Brasil, embora a alocação externa ainda esteja contida nos planos.
Política de investimento e critérios de seleção
A Petros ainda não utiliza ativamente ativos no exterior e admite que, para fundos internacionais, exige pelo menos 36 meses de histórico e US$ 5 bilhões sob gestão. A due diligence passa por avaliação reputacional, qualitativa e quantitativa, incluindo track record.
A gestão também prioriza crédito privado local com maior apetite por rentabilidade, desde que o risco seja compatível. A equipe observa que a liquidez é um fator-chave para a alocação em novos gestores ou fundos.
No Brasil, a régua para elegibilidade de fundos é alta: mínimo de 36 meses de resultado, pelo menos R$ 3 bilhões sob gestão no segmento e estratégia com captação de pelo menos R$ 600 milhões.
Segmentos de investimento e mudanças no portfólio
Entre as mudanças, o crédito privado ganha destaque para aumentar a exposição de forma pontual, tanto em fundos já presentes quanto em novos gestores. As decisões são condicionadas ao cenário de spreads e à avaliação de risco-retorno.
O private equity, tema do passado, não está previsto para retornar no curto prazo. A política de investimentos atual não permite esse tipo de alocação, mantendo foco em ativos mais líquidos para planos jovens.
Na prática, parte de ativos de imóveis herdados permanece nos planos maduros, com venda prevista quando houver oportunidade para reforçar a imunização. Nos planos jovens, a aposta recai sobre fundos imobiliários com liquidez e distribuição mensal de dividendos.
Desempenho e imunização
A Petros mantém uma equipe dedicada à seleção de fundos imobiliários, que renderam mais de 21% em 2025, contribuindo para a marca histórica da fundação. A renda fixa permanece relevante, respondendo por cerca de 78% da carteira do Petros-2, maior plano de contribuição variável, com 60 bilhões sob gestão.
Em renda variável, o portfólio incorpora quatro estratégias internas, incluindo ETFs para uso tático. A gestão também inclui uma linha de seleção de gestores, Ibovespa ativo e retorno real.
A imunização dos planos maduros é parte decisiva da estratégia. Hoje, aproximadamente 90% desses planos já estão imunizados, com meta de chegar a 97%-98% nos próximos cinco anos. Golpes de volatilidade e juros altos seguem como desafios.
Perspectiva para 2026
A sinalização é de cautela na definição de novas alocações, com foco em renda fixa diante do cenário de juros elevados e volatilidade global. A instituição aguarda oportunidades de mercado para ampliar exposición internacional se as condições oferecerem relação risco-retorno favorável.
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