- Estudo divulgado em maio pelo Centre for Impact Investing and Practices (Singapura), em parceria com Temasek e Invesco, ouviu 165 financiadores asiáticos, responsáveis por mais de US$ 1 trilhão em ativos sob gestão, apontando adaptação climática como principal tema de impacto.
- A Ásia responde por cerca de 75% da lacuna global de financiamento para adaptação, com prejuízos por desastres crescentes e perdas econômicas; em 2025, perdas globais chegaram a US$ 224 bilhões, com mais de 17 mil mortes.
- Fluxos atuais de financiamento para adaptação variam entre US$ 26 bilhões e US$ 50 bilhões por ano, enquanto a necessidade anual fica entre US$ 310 bilhões e US$ 365 bilhões até 2035, com menos de 11% vindo do setor privado.
- Na COP30, governos anunciaram a meta de triplicar o financiamento para adaptação para US$ 120 bilhões por ano até 2030, mas ainda está aquém do necessário.
- O texto defende: (a) não tratar adaptação como uma única classe de ativos; (b) construir sistemas habilitadores e mensuração de desempenho; (c) buscar escala como tese de investimento; (d) ver resiliência como base, não como manchete; (e) unir adaptação e mitigação, buscando sinergias para financiar impactos positivos.
Um estudo divulgado neste mês de maio pelo Centre for Impact Investing and Practices, de Singapura, em parceria com Temasek e Invesco, mostrou que adaptação climática lidera temas de impacto entre 165 financiadores asiáticos, com ativos sob gestão superiores a US$ 1 trilhão. A pesquisa ouviu investidores da região sobre padrões de financiamento e perspectivas de retorno.
A Ásia é apontada como 3,7 bilhões de pessoas afetadas por eventos climáticos desde 2000, com a região concentrando cerca de 75% da lacuna mundial de financiamento para adaptação. Globalmente, danos por desastres subiram em relação ao PIB desde os anos 1970, chegando a US$ 224 bilhões em 2025, segundo o estudo.
Os fluxos atuais para adaptação variam entre US$ 26 bilhões e US$ 50 bilhões por ano, frente necessidades anuais de US$ 310 bilhões a US$ 365 bilhões até 2035. Menos de 11% desse montante vem do setor privado. Na COP30, governos se comprometeram a triplicar o financiamento para US$ 120 bilhões anuais até 2030, mas o montante ainda fica abaixo do necessário.
Entenda quem está envolvido
Susan Hunt Stevens, CEO da Tessi, lembra que o setor ainda está em estágio inicial e que é preciso definir o financiamento com clareza. Ela afirma que a discussão não deve tratar tudo como uma única classe de ativos. Laurie Schoeman, da Partners for the Common Good, destaca faixas de retorno distintas para ações, dívida e títulos, ressaltando a necessidade de mapas de capital mais precisos.
Virginie Morgon, da Ardabelle Capital, aponta que algumas áreas de adaptação são adequadas ao private equity, enquanto outras demandam modalidades de financiamento público ou híbrido. A necessidade é criar uma taxonomia de estruturas de capital alinhadas a cada ativo de adaptação.
Onde as oportunidades atuam
O estudo defende a construção de sistemas habilitadores além dos ativos isolados. Três frentes são citadas: mecanismos de pagamento mais claros, com modelos que vinculem custos a perdas evitadas; padronização de métricas de desempenho para mensurar impactos; e redução de atrasos regulatórios que elevam custos e incerteza para investimentos.
Especialistas trazem a OCDE como referência para a carência de mensuração na adaptação, em comparação com a mitigação. O grupo Adaptation and Resilience Investors Collaborative trabalha em uma estrutura de avaliação de impactos para portfólios de investidores.
Caminhos para escala
Morgon ressalta que resiliência pode gerar valor econômico, com menor volatilidade de lucros e maior segurança de abastecimento. Stevens reforça que soluções de adaptação devem ser apresentadas como benefícios operacionais usuais, não como iniciativas apartadas.
A ideia é investir em infraestrutura de escala comunitária, elevando o nível mínimo de resiliência e gerando retornos compatíveis com investimentos de longo prazo. O objetivo é transformar a resiliência em fluxo de caixa, e não apenas em obrigação moral.
Desdobramentos recentes e próximos passos
O estudo indica que o financiamento de adaptação precisa de instrumentos adequados, retornos compatíveis, sistemas habilitadores eficazes e integração com a agenda climática. A janela de oportunidade está aberta, mas requer ações firmes para ampliar a escala de investimentos em resiliência.
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