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Reabertura do Estreito de Ormuz não encerra crise do petróleo

Especialistas avaliam que a normalização do abastecimento não será rápida; impactos de Ormuz podem durar meses ou anos, com pressões inflacionárias globais

Pelo Estreiro de Ormuz passa cerca de 20% do mercado global de petróleo
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  • A reabertura do Estreito de Ormuz, que passa cerca de 20% do petróleo mundial, não deve encerrar a crise: normalização do abastecimento pode levar semanas ou anos.
  • Mesmo com acordo de paz, analistas dizem que o mercado não volta ao normal de imediato; Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco, afirmou que levaria meses para o mercado se reequilibrar e, se o fechamento durar mais, a normalização pode se estender até 2027.
  • O tráfego no estreito permanece abaixo do normal, com retomada da navegação prevista de forma intermitente; há necessidade de medidas de segurança e patrulhas para proteger embarcações.
  • O Lloyd’s de Londres elevou os prêmios de risco de guerra para travessias pelo estreito; empresas de navegação já mudaram rotas, e recuperação de navios pode levar oito semanas ou mais.
  • Danos à infraestrutura na região elevam os prazos de retorno: reparos estimados entre 25 bilhões e 58 bilhões de dólares; Ras Laffan, no Catar, foi fortemente afetado, com possível retorno de 3 a 5 anos; estoques de petróleo dos EUA estão baixos e a China precisa retomar importações, potencialmente pressionando preços.

O Estreito de Ormuz permanece uma rota estratégica que passa cerca de 20% do petróleo mundial. Mesmo com acordo de fim de conflito no Irã, especialistas avaliam que normalizar o abastecimento pode levar semanas, ou até anos, para se consolidar. O veículo do fluxo continua sujeito a impactos nos próximos meses.

O conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã entra na fase de negociações de paz, com pressão do Congresso americano sobre o presidente. O tráfego pelo estreito segue em baixa, mesmo após um cessar-fogo fragilizado e tentativas de acordo.

Reabertura irregular de Ormuz

Executivos do setor energético destacam que a volta completa não será imediata. A retomada pode ocorrer de forma intermitente, exigindo observação de 30 a 45 dias, além de medidas de segurança com patrulhas navais internacionais. A confiança dos armadores ainda não está restabelecida.

Chefe de pesquisa da Sparta Commodities alerta que um único ataque pode adiar a volta ao normal para muitas empresas. Navios substituíram rotas do Golfo, reduzindo a exposição ao risco. O Lloyd’s de Londres registra elevação constante dos prêmios de guerra para travessias.

O CEO da Saudi Aramco informou a investidores que, mesmo com a abertura, o reequilíbrio do mercado levaria meses e, se o fechamento persistisse, a normalização poderia se estender até 2027. Ataques recentes aumentaram a cautela entre armadores.

Danos à infraestrutura prolongam impactos

Dados da consultoria Rystad Energy apontam custos de reparo entre 25 bilhões e 58 bilhões de dólares, com Ras Laffan, no Catar, entre os pontos mais afetados. Reparos podem levar de três a cinco anos para normalizar a capacidade de GNL.

Além disso, atrasos contratuais em fornecimentos de GNL podem se estender até 2027, conforme a S&P Global Platts, influenciando a cadeia de suprimentos global. Testes de segurança e escassez de peças dificultam o retorno de operações.

Escassez de energia pode piorar

O mercado global enfrenta pressão inflacionária com petróleo 30% mais caro que antes do conflito. Nos EUA houve aumento da produção, na China queda das importações e uso de estoques pela AIE, mas tais medidas não são sustentáveis a longo prazo.

Fatih Birol, diretor da AIE, alerta para uma possível zona crítica de estoques já entre julho e agosto. A queda de estoques pode exigir reajustes de preços para conter a demanda, elevando ainda mais os preços globais.

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