- Tony Volpon alerta que a curva de juros atual aponta uma “linha reta” para o longo prazo, com a Selic em torno de 14% por muitos anos.
- Sem recuo da Selic, a dívida pública tende a crescer mais rápido que a economia, tornando a explosão da dívida/PIB uma consequência matemática do déficit nominal.
- O dólar opera acima de R$ 5,15, pressionado por dados de emprego nos Estados Unidos e por ruídos comerciais e geopolíticos.
- O Boletim Focus mostra inflação acima de cinco por cento, o que dificulta a atuação do Banco Central; o mercado projeta Selic perto de 13,25% até o fim do ano, com Itaú estimando 13,75%.
- O cenário sugere juros restritivos por um período prolongado e maior pressão sobre o teto fiscal, caso as projeções de Volpon se mantenham.
O economista e ex-diretor do Banco Central Tony Volpon alertou sobre o desenho atual da curva de juros no Brasil. Em sua leitura, o mercado projeta uma “linha reta” de juros de longo prazo, o que, segundo ele, aponta para problemas fiscais graves.
Volpon afirma que isso é ruim para a sustentabilidade das contas públicas. Hoje, a Selic está em 14,50% ao ano, segundo o Copom. Sem perspectiva de queda, a dívida pública tende a crescer mais rápido que a economia, elevando o déficit nominal e os custos de endividamento.
O cenário ganha peso em meio a pressão cambial. O dólar opera perto de R$ 5,15, impulsionado por dados de emprego nos EUA e por incertezas externas. No radar de investidores, a combinação de câmbio volátil e inflação elevada trava o espaço para alívio monetário.
Contexto de mercado e projeções
A leitura de Volpon coincide com leituras de especialistas que veem juros restritivos por um período longo. O mercado projeta a Selic em patamar próximo a 13,25% ao final deste ano, com instituições como o Itaú apontando 13,75%.
Esses cenários alimentam dúvidas sobre o trajeto fiscal do país. Se a “linha reta” nas taxas de longo prazo se confirmar, a dívida pública pode permanecer sob pressão, mantendo o desafio da relação dívida/PIB elevado por mais tempo.
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