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BNP Paribas revisa projeção e aponta três altas de juros nos EUA

BNP Paribas revisa cenário e vê três altas do Federal Reserve a partir de dezembro, após payroll de maio superar a previsão

— Foto: Gettyimages
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  • BNP Paribas revisa cenário-base e passa a projetar três altas consecutivas nos juros do Federal Reserve a partir de dezembro deste ano, interrompendo cortes de precaução vistos no fim de 2024.
  • O payroll de maio mostrou criação de 172 mil empregos nos EUA, acima das expectativas, com a taxa de desemprego estável em 4,3%.
  • O banco aponta que a inflação deve permanecer acima da meta de 2% neste ano, tornando a política monetária mais estimulante em termos reais.
  • O BNP projeta desemprego em cerca de 4% no fim do período, e uma melhora gradual do mercado de trabalho ao longo do ano.
  • Segundo o relatório, há risco associado a novas altas de juros pelo Fed e à guerra no Irã, além de cenário favorável por políticas monetárias e fiscais estimulantes.

O BNP Paribas revisou seu cenário para o Federal Reserve e passou a prever três altas de juros a partir de dezembro deste ano, revertendo a postura de precaução adotada pelo banco central no fim de 2024. A leitura mais forte do payroll de maio foi o gatilho da mudança de posição.

O relatório utilizado pelo banco leva em conta a criação de 172 mil empregos nos EUA em maio, acima do consenso de 80 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 4,3%. Segundo o BNP, o Fed deverá encerrar os três cortes de juros de 2025 em sequência, para reduzir o estímulo monetário, conter a inflação e manter a taxa de desemprego em patamar baixo.

O BNP Paribas já era considerado entre as perspectivas mais hawkish do mercado antes do conflito no Irã, mantendo, desde janeiro, a expectativa de que a pausa nas altas permaneça ao longo de 2026. O cenário-base do banco mostra um viés mais conservador do que a curva de mercados.

Cenário de juros e inferências

Após o payroll, os futuros de Fed funds indicam probabilidade de alta de 71,1% até o fim do ano, com apostas majoritárias para dois aumentos até julho do próximo ano, conforme o levantamento do CME Group.

Para o BNP, o principal argumento para novas altas é a avaliação de que a postura monetária está descalibrada, com a inflação hoje próxima de 4%, bem acima da meta de 2%. O banco afirma que a política monetária está mais estimulante do que o esperado e a economia demonstra estabilidade.

A instituição projeta uma recuperação gradual do mercado de trabalho ao longo do ano, com a taxa de desemprego em torno de 4% ao fim do período. A inflação, porém, deve permanecer acima de 2% por grande parte do ano, indicando um problema persistente de preços nos EUA.

Riscos e leitura de cenário

O BNP aponta riscos externos, como movimentos de alta do Fed e o efeito da guerra no Irã sobre as condições financeiras. O banco mantém uma visão favorável a um crescimento moderado da atividade econômica norte-americana devido a estímulos fiscais e monetários.

Este conteúdo foi publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor Econômico.

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