- A renda universal elevada propõe que a IA gere riqueza suficiente para manter a vida das pessoas com pagamentos mensais significativos, mesmo sem trabalho.
- Daniel Schreiber criou um modelo que usa ferramentas de IA para calcular a redistribuição de riqueza, financiada por impostos sobre produção e lucros de fundos soberanos, começando em Israel.
- O estudo aponta uma renda de cerca de 6.750 shekels por mês por adulto, com possibilidade de chegar a 15 mil shekels mensais com outras fontes de recursos.
- O debate envolve figuras como Elon Musk, Bernie Sanders e Sam Altman, com posições que vão desde aceitar a renda básica até defender a renda universal elevada ou outras formas de participação pública.
- Economistas divergem sobre viabilidade, impacto na demanda e no desemprego, mas o tema ganha força à medida que os efeitos da IA no mercado de trabalho passam a parecer mais previsíveis.
O debate sobre a renda gerada pela IA ganhou força entre figuras de várias correntes políticas. A proposta central é a renda elevada, uma versão ampliada da renda básica universal, que pagaria valores mensais superiores a 60 mil dólares anuais para cobrir necessidades básicas, mesmo com a automação em alta. O tema tem atraído atenção de formuladores de políticas em diferentes países.
Daniel Schreiber, fundador de um think tank sediado em Jerusalém, apresenta um modelo que usa IA no cálculo dos pagamentos. O plano prevê financiar a renda elevada com impostos sobre produção industrial e parte de lucros de fundos soberanos, entre outras fontes. O objetivo é reduzir a pobreza mantendo alta produtividade.
Schreiber já atuou como executivo do setor de seguros e acredita que a IA pode impulsionar o crescimento econômico e ampliar o acesso a serviços públicos. Em Israel, seu estudo de 38 páginas detalha o mecanismo de redistribuição e aponta valores de referência mensais por adulto, com cenários que elevam o benefício conforme fontes de financiamento.
O conteúdo tem sido discutido por políticos e empresários de diferentes espectros. O senador Bernie Sanders propôs, nos EUA, a criação de um fundo soberano de IA que permita participação do público nas maiores empresas do setor. Em outras frentes, líderes de tecnologia defendem formas de ampliar acesso à IA como recurso público.
Em Washington, o diálogo sobre renda elevada envolve também executivos de tecnologia. Sam Altman, da OpenAI, defende a ideia da renda básica universal e de ampliar a capacidade computacional básica. Já Dario Amodei, da Anthropic, alertou para a possibilidade de perda significativa de empregos de nível inicial nos próximos anos.
Na prática, diferentes modelos de renda existem há décadas. Pesquisas apontam que transferências podem reduzir pobreza e melhorar saúde, embora haja divergências sobre como implementar os pagamentos. Críticos apontam que custos são elevados e podem desincentivar o trabalho.
Alguns estudos indicam que a redistribuição via IA cruza fronteiras da política tradicional. Houve precedentes em países como Irã e Finlândia, além de debate contínuo sobre impactos no consumo e na demanda. O tema permanece sob análise de economistas e legisladores.
Capacidades em expansão
Schreiber, nascido em Londres, levou sua proposta para fora da prática empresarial ao criar o MOSAIC AI Policy Institute em 2024. O estudo israelense detalha um conjunto de fontes de financiamento para pagamentos mensais de até 2.320 dólares por adulto, com variantes que poderiam alcançar até 15 mil shekels, segundo o relatório. O instituto reúne economistas, analistas de dados e especialistas em políticas públicas.
No cenário internacional, o debate inclui também observações de outros líderes empresariais. Elon Musk já apontou a renda universal elevada como resposta ao avanço da IA, e acredita que o governo deveria emitir cheques para enfrentar o desemprego tecnológico. A visão de Musk contrasta com a de Schreiber, que alerta para riscos de inflação caso o volume de dinheiro seja amplamente impresso.
Para especialistas, o tema não se resume a tecnologia e emprego. Pesquisas sobre renda básica e renda elevada avaliam impactos na inovação, na educação e no equilíbrio entre produção e consumo. Economistas destacam que a viabilidade depende de fontes estáveis de financiamento e de ajustes econômicos amplos.
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