- The Economist alerta para o “socialismo feito para o TikTok”, movimento liderado pela geração Z com variações por país e apoio de políticos já conhecidos.
- Três características principais: crença de que o crescimento econômico não melhora a vida comum, defesa de que benefícios devem ficar com os mais ricos, e hostilidade ao livre mercado com apoio a intervenções estatais.
- Propostas vistas como simples e atraentes pela geração Z incluem cortar contas, transporte público gratuito e proteção de empregos; exemplos citados são Zohran Mamdani, Avi Lewis e Jean-Luc Mélenchon, além de outros partidos de esquerda na Europa.
- Preocupações abrangem governo, impostos e IA: há críticas a altos tributos, queda na aprovação de gastos públicos e receios com IA, com mais de sessenta por cento dos americanos, britânicos e canadenses nervosos com a tecnologia.
- Dados mostram queda no número de eleitores que se identificam como socialistas (nos EUA, de 5% a 3,4%); Harvard aponta queda no apoio ao capitalismo, ao socialismo democrático e ao socialism, sugerindo interesse por soluções para reduzir custos de vida.
A Economist publicou um editorial e três reportagens sobre o que chama de “socialismo feito para o TikTok”. A publicação afirma que o movimento surge de formas distintas em cada país, com a geração Z como protagonista e apoio de políticos já conhecidos. O foco é analisar impactos e estratégias.
Segundo a revista, o movimento privilegia interesses de apoiadores, em vez de ampliar igualdade ou bem-estar para todos. Entre as propostas, há medidas que visam cortar renda de bilionários ou de grandes empresas. A Economist identifica três características centrais.
- A ideia de que o crescimento econômico tem papel limitado na melhoria da vida comum, moldando uma visão de soma zero quanto à distribuição de riqueza.
- A defesa de que benefícios só devem ser financiados pelos mais ricos, não pela sociedade como um todo.
- A hostilidade à iniciativa privada e ao livre mercado, aliada a intervenções estatais para regular preços e aspectos econômicos.
Essas soluções, na visão da Economist, parecem simples e atraentes para a geração Z, ainda que ingênuas ou impraticáveis. Entre as demandas citadas estão cortar contas, oferecer transporte público gratuito e proteção de empregos, com eco em campanhas de políticos populistas.
Governo, impostos e IA entre as principais preocupações
A publicação aponta insatisfação ampla com tributos, governos e IA. Dados citados indicam maior rejeição a elevada carga tributária, associada a uma queda na aprovação de gastos públicos.
A tecnologia é alvo de críticas, com receio de que investimentos em data centers elevem custos de energia e água. Além disso, mais de 60% dos americanos, britânicos e canadenses dizem ficar nervosos com a IA, acima da média global de 50%.
Para a geração Z socialista, o uso da IA agrava o medo de perda de empregos. Entre jovens nos EUA, 59% veem a tecnologia como ameaça às oportunidades de trabalho.
Número de eleitores socialistas está em queda
Apesar da visibilidade do movimento, o percentual de eleitores que se identificam como socialistas recuou nos EUA, de 5% entre 2018 e 2021 para 3,4%. A Economist observa que isso não significa, necessariamente, migração para a direita, mas afastamento de disputas ideológicas tradicionais.
Uma pesquisa da Universidade Harvard aponta queda no apoio ao capitalismo, ao socialismo democrático e ao socialismo entre 2018 e 2025, sugerindo foco em soluções de custo de vida e renda, em vez de rótulos ideológicos.
A narrativa dos ricos contra o restante da sociedade
O estudo também cita autores que discutem conflitos entre ricos e o restante da sociedade. A Economist aponta que alguns defendem que o crescimento econômico não oferece as necessidades básicas, citando críticos do PIB como indicador suficiente.
Em resposta, líderes do socialismo da geração Z priorizam custo de vida e segurança no emprego, com atenção especial aos impactos da IA. A ênfase está em medidas de alívio imediato, em vez de projetos de longo prazo com retornos incertos.
Quem paga a conta?
Ao contrário de gerações anteriores, o grupo não defende tributação ampla para benefícios universais, concentrando foco nos mais ricos e em ganhos de eficiência para reduzir gastos públicos. A revista questiona efeitos de controles de aluguel e a redução de gastos públicos.
Quanto à tributação, a Economist observa que muitos bilionários podem mudar a residência fiscal e, assim, escapatória a impostos. Ainda assim, a publicação sustenta que o liberalismo econômico não está condenado e que há espaço para revisitar argumentos que geraram riqueza em escala.
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