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Crise do petróleo pode frear corte de juros no Brasil, diz pesquisadora

Conflito no Oriente Médio reduz espaço para cortes da Selic no Brasil, mantém inflação elevada e juros entre 14% e 14,25% neste ano

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  • A crise do petróleo segue pressionando a inflação global e reduzindo o espaço para cortes adicionais na Selic neste ano, segundo a economista Tatiana Pinheiro, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
  • O mercado já precifica no máximo mais uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, possivelmente na reunião de junho do Copom, com a taxa entre 14% e 14,25% no fim de 2026.
  • Mesmo que a guerra terminasse hoje, o espaço para cortes neste ano seria limitado; reduções mais acentuadas ficariam para 2027.
  • A trajetória do petróleo continua determinante para a inflação mundial; sem solução, os preços devem ficar entre US$ 90 e US$ 110 por barril.
  • Alternativas para reduzir a dependência do petróleo incluem eletrificação da economia, mas há preocupação com o aumento do endividamento público para proteger as economias.

O conflito no Oriente Médio segue impactando a economia global e, no Brasil, reduz o espaço para cortes da Selic. A pesquisadora Tatiana Pinheiro, da FGV, aponta que a elevação de preços do petróleo pressiona a inflação e dificulta reduções na taxa básica.

Segundo ela, o principal efeito foi encolher o espaço para cortes adicionais na Selic neste ano. O mercado já precifica, no máximo, uma nova redução de 0,25 ponto percentual, possivelmente na reunião de junho do Copom.

Essa leitura muda a projeção de juros para 2026. Analistas antes esperavam queda para próximos anos, mas a tendência agora é manter a Selic entre 14% e 14,25% até o fim deste ano, com espaço maior apenas em 2027.

Petróleo como motor da inflação global

Pinheiro frisa que a trajetória do petróleo continua central para a inflação mundial. Mesmo com uma solução imediata do conflito, o barril poderia ficar entre US$ 65 e US$ 70 no terceiro trimestre; sem solução, deve oscilar entre US$ 90 e US$ 110.

Ela ressalta que o petróleo participa de múltiplas cadeias produtivas, sendo componente-chave na produção de combustíveis, fertilizantes, defensivos, plásticos e até têxteis. Essa cadeia amplia o efeito de variações de preço sobre a economia.

Caminhos para reduzir dependência

A pesquisadora avalia que reduzir a dependência do petróleo demanda mudanças estruturais. O estudo da década de 1970 é referência: Brasil investiu no Pró-Álcool, enquanto outras Nações expandiram energia nuclear para diversificar a matriz energética.

Para o cenário atual, a eletrificação da economia surge como principal caminho, ganhando impulso diante dos choques recentes. Contudo, Pinheiro alerta para novos custos públicos associados à proteção de economias diante de choques energéticos.

Endividamento público em evidência

A pesquisadora aponta que, além dos estímulos econômicos, há aumento de gasto público para mitigar impactos da alta do petróleo. A OCDE já destacou esse aspecto como risco para as contas públicas nos próximos anos, ampliando a preocupação com a sustentabilidade fiscal.

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