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A próxima grande aposta da IA pode estar nos mercados emergentes

Mercados emergentes negociam com desconto e alta exposição a semicondutores, cobre e energia, sinalizando espaço para a IA além do Vale do Silício

Mercados emergentes combinam exposição a tecnologia, energia e matérias-primas essenciais à revolução da IA com valuations mais atraentes.
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  • Os emergentes estão com desconto em relação aos desenvolvidos, com o Bloomberg Emerging Markets Large & Mid Cap Index cotado perto de 64% do múltiplo dos mercados desenvolvidos.
  • O peso do setor de tecnologia nos emergentes é mais elevado do que nos EUA, em torno de quarenta por cento, segundo a pesquisa da Research Affiliates.
  • Semicondutores, cobre, gás natural e urânio aparecem como ativos-chave para sustentar a expansão da IA, com minas no Chile e no Peru e produtores de urânio no Cazaquistão entre os ganhadores potenciais.
  • A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo de eletricidade dos data centers vai mais que dobrar até 2030, para cerca de 945 terawatts-hora.
  • Além da demanda de energia, metais e matérias-primas permanecem relevantes para o ciclo de IA, funcionando como proteção contra choques geopolíticos e cenários de volatilidade.

Os mercados emergentes enxergam na IA uma janela de oportunidade de múltiplos ganhos, mesmo com os Estados Unidos no centro do boom. A narrativa é de exposição elevada à tecnologia e de desconto relativo frente aos valores dos mercados desenvolvidos.

Segundo análises de pesquisadores da Research Affiliates, os emergentes já respondem por cerca de 40% da exposição tecnológica em índices como Bloomberg Emerging Markets Large & Mid Cap e MSCI EM. Mesmo com ações valorizadas, o teto de retorno ainda aparece mais acessível do que nos mercados desenvolvidos.

A ideia central é de que o desenvolvimento da IA não ficará restrito a empresas norte-americanas. Entre os exemplos, surgem nomes ligados a semicondutores e grandes players asiáticos, além de exportadores de commodities que alimentam a infraestrutura necessária aos data centers.

O que impulsiona o interesse

A demanda por componentes e insumos críticos, como cobre, gás natural e energia nuclear, está diretamente ligada ao crescimento da IA. A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo de eletricidade de data centers dobrará até 2030, para quase 945 terawatts-hora.

Países como o Cazaquistão podem se beneficiar de futuros avanços na energia nuclear, enquanto reservas em Chile e Peru sustentam o fornecimento de cobre essencial. A Wood Mackenzie aponta que o ciclo de demanda por data centers pode gerar volatilidade de preços em matérias-primas.

Perspectivas de investimento

Mercados emergentes negociam a múltiplos significativamente mais baixos que os desenvolvidos, ainda após desempenho positivo neste ano. Estimativas indicam que o Bloomberg Emerging Markets Large & Mid Cap Index opera perto de 64% do múltiplo dos mercados desenvolvidos, frente a cerca de 74% da década anterior ao ChatGPT.

A vantagem competitiva dos emergentes permanece na combinação de ações de tecnologia com ativos de energia, materiais e utilidades. Mesmo com valorização recente de semicondutores, o custo relativo continua menor em comparação aos pares ocidentais.

Riscos e cenários

Caso o impulso da IA sofra recuo momentâneo, as matérias-primas sul-americanas e do Oriente Médio devem manter relevância para sustentar ciclos de crescimento global. Além disso, eventos geopolíticos podem influenciar a oferta de energia e insumos.

Outro ponto considerado é a volatilidade inerente ao setor de tecnologia, que pode exigir ajustes rápidos de carteira por parte de investidores que acompanham a evolução do mercado.

Observação final

A leitura comum entre especialistas é de que o momento de adoção da IA já incorpora parte da valorização, mas oportunidades em mercados emergentes permanecem ativas por sua exposição a commodities, energia e semicondutores. A atenção dos investidores tende a se manter já neste ano.

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