- A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) revisou a alta do lucro do setor: espera lucro líquido agregado de US$ 23 bilhões em 2026, bem abaixo dos US$ 41 bilhões projetados anteriormente e dos US$ 45 bilhões de 2025.
- O pacote de cortese de lucros é consequência do conflito no Oriente Médio, que elevou o preço do combustível, interrompeu rotas-chave e pressionou margens das companhias.
- A demanda por viagens segue robusta e as receitas podem superar US$ 1,16 trilhão neste ano, mas os custos de combustível devem crescer, com expectativa de cerca de US$ 350 bilhões em gastos de combustível para 2026.
- A crise também pode levar a fusões, aquisições ou falências entre companhias aéreas menores, conforme custos de combustível sobem e rotas não lucrativas são cortadas.
- A S&P Global aponta risco de nova alta dos preços do combustível até 2028, com oferta de combustível de aviação quedando entre 20% e 30% desde o início do conflito.
O setor aéreo global reduziu a previsão de lucro para 2026 pela metade, devido ao conflito no Oriente Médio que elevou custos de combustível, interrompeu rotas e ressaltou a fragilidade de margens. A Iata, que representa mais de 370 companhias, divulgou o ajuste em seu relatório anual.
A lucros líquidos esperados em 2026 caíram para US$ 23 bilhões, frente a US$ 41 bilhões estimados anteriormente e US$ 45 bilhões em 2025. Apesar disso, a demanda por viagens permanece resistente e as receitas devem superar US$ 1,1 trilhão.
A guerra elevou o custo do combustível, obrigando redirecionamentos de voos e aumentando o consumo. Além disso, houve interrupção de fluxos regionais, especialmente no Golfo, pressionando margens e receitas.
Em 2026, a Iata aponta que parte do crescimento vem da recuperação de tarifas, que devem se manter elevadas diante de menor capacidade. O cenário envolve maior volatilidade de combustíveis e custos de operação.
O diretor-geral da Iata, Willie Walsh, afirma que a combinação de combustível caro e interrupção de rotas levou ao recorte de previsões. Ele ressalta que algumas companhias de menor porte podem falir ou ser adquiridas.
A crise geopolítica também elevou o preço do petróleo, ampliando ganhos para refinarias e pressionando as margens das aéreas. A conta com combustível deve chegar a US$ 350 bilhões neste ano, segundo a Iata.
A projeção de demanda global segue positiva, com voos mais cheios e aumento de receitas de serviços adicionais. Contingências de capacidade, no entanto, devem manter espaço para ajustes de rotas lucrativas.
Perspectivas de mercado e custos
A S&P Global vê risco de nova alta de combustíveis e normalização apenas em 2028, diante de quedas de oferta e gargalos logísticos. A oferta de querosene recuou entre 20% e 30% desde o início do conflito, segundo a consultoria.
Espera-se que o preço do querosene permaneça elevado. A demanda por combustíveis, a partir de estoques, ajuda a manter a liquidez, mas sazonalidades podem pressionar a oferta adicional no curto prazo.
Impactos setoriais e visões regionais
A escassez de aeronaves e atrasos nas entregas de Boeing e Airbus forçam companhias a manter frotas antigas. Esse cenário eleva custos de manutenção e reduz margens de lucro, especialmente em períodos de combustível caro.
A Latam Airlines, representada por seu CEO Roberto Alvo, alerta que o setor pode precisar reduzir ainda mais a capacidade se os preços do combustível permanecerem altos até 2027, para manter o equilíbrio econômico.
Em suma, a combinação de demanda estável, custos elevados e restrições de capacidade caracteriza o novo cenário do setor. O equilíbrio entre tarifas, tráfego e combustíveis será determinante para 2026 e 2027.
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