- Leilões de primavera de Nova York arrecadaram US$ 2,5 bilhões, aproximando-se da estimativa máxima de US$ 2,6 bilhões e sinalizando melhora no mercado de arte.
- A Sotheby’s, controlada por Patrick Drahi desde 2019, enfrenta dívida elevada e vem adotando ferramentas de financiamento para manter o caixa, incluindo atrasos pagos a vendedores e juros para quem aceita adiar recebimento.
- A casa recorreu a medidas como venda de equity, emissão de bonds e empréstimos, além de ampliar garantias a terceiros para assegurar os leilões, com vendedores recebendo garantias de preço mínimo e compradores podendo arrematar com desconto ou ser indenizados.
- Em abril, a Sotheby’s levantou US$ 825 milhões com um bond de cinco anos a yield de 8,5%; Drahi chegou a considerar usar até US$ 100 milhões da KKR para pagar alguns vendedores; a empresa já havia vendido participação por US$ 1 bilhão ao ADQ em 2024.
- Os sinais de recuperação são reais: as vendas totais subiram de US$ 6 bilhões para US$ 7,1 bilhões, e a empresa registrou lucro antes de impostos de US$ 53 milhões no último exercício, revertendo o prejuízo de US$ 248 milhões de 2024.
O mercado de arte abriu o ano com sinais de recuperação, após dois anos desafiadores. Os leilões de primavera em Nova York renderam cerca de US$ 2,5 bilhões, aproximando-se da estimativa máxima de US$ 2,6 bilhões. A melhora favorece casas de leilão como a Sotheby’s, que vinha lutando para manter o fluxo de caixa.
A Sotheby’s viveu um período de aperto financeiro desde a aquisição por Patrick Drahi, em 2019. A empresa ampliou dívidas e adotou medidas para ajustar o caixa, incluindo atrasos no pagamento de itens leiloados e uso de instrumentos como empréstimos e emissão de títulos para sustentar operações.
Nos últimos meses, a casa passou a oferecer juros aos clientes que aceitassem postergar recebimentos, segundo o Financial Times. A estratégia visava conter o impacto de fluxos de caixa sazonais e manter a liquidez em meio ao menor volume de grandes obras no mercado.
Além disso, a Sotheby’s recorreu a mecanismos de garantia de terceiros para assegurar o sucesso dos certames. Vendedores passaram a receber garantias de lance mínimo, enquanto compradores chegaram a ter direitos de arremate com condições favoráveis ou indenização em caso de derrota.
O desempenho recente reforça a recuperação do setor, com a venda de obras de Pollock, Rothko e Brancusi entre os itens apreciados pelos colecionadores. Em paralelo, a casa buscou diversificação de funding para manter a operação estável.
Entre as medidas de financiamento, a Sotheby’s informou levantamentos de US$ 825 milhões em abril com um bono de cinco anos e emissão de empréstimos para adiantar taxas de corretagem. Drahi também avaliou uso de até US$ 100 milhões de crédito com garantia de taxas.
Apesar do avanço, a empresa ainda enfrenta desafios herdados de décadas de endividamento. Em 2019, a Sotheby’s já apresentava quase US$ 1 bilhão em dívida, com deterioração gradual do crédito ao longo dos anos.
Resultados recentes indicam melhoria operacional: lucro pré-imposto de US$ 53 milhões em 2023, após um prejuízo de US$ 248 milhões em 2024. As vendas saltaram de US$ 6 bilhões para US$ 7,1 bilhões, sinalizando recuperação, mas a gestão continua atenta ao fluxo de caixa.
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