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Tráfico e milícia controlam abastecimento de mercados e padarias no Rio

Monopólio do crime no Rio controla fornecedores de alimentos, aumenta preços e agride comerciantes que não obedecem, segundo investigação

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  • Criminosos de facções e milícias do Rio controlam a venda de produtos em comunidades, obrigando comerciantes a comprar de empresas indicadas e ameaçando quem não cumprir.
  • A investigação do Fantástico, em dois meses, mostrou monopólio que afeta itens básicos como farinha, ovos, alho, cebola, carvão, água, gás, construção e até frango assado.
  • Em várias regiões, os preços sobem: o frango assado, por exemplo, passou de cerca de R$ 10 para R$ 40 após a atuação dos grupos.
  • A polícia cumpriu quatorze mandados de busca e apreensão em endereços ligados às empresas investigadas; houve apreensão de produtos fora da validade e prisão em flagrante.
  • As empresas apontadas são Evolução (Campo Grande, Zona Oeste) e Fênix (Madureira, Zona Norte); advogados da Evolução dizem não ter acesso às imagens, enquanto a Fênix afirma não ter vínculo com organizações criminosas.

O Fantástico investigou, ao longo de dois meses, um esquema de monopólio ilegal que envolve tráfico e milícias no Rio de Janeiro. Comerciantes de diversas zonas são obrigados a comprar mercadorias de empresas ligadas a facções, sob ameaça de retaliação.

A situação afeta mercados, padarias, açougues e outros comércios. Produtores relatam cobrança de taxas para manter as lojas abertas e preços acima do usual quando há desobediência. O controle se estende até a venda de frango assado em áreas dominadas pelos criminosos.

Também foram registradas operações da polícia. Na última quarta-feira, 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados às empresas investigadas. Fornecedores suspeitos foram alvo de apreensões e revistas, com itens fora da validade detectados em depósitos.

Quem está envolvido e onde ocorre

Comerciantes apontam empresas ligadas a facções na Zona Oeste e na Zona Norte. Na prática, o monopólio se manifesta pela imposição de fornecedores e pela limitação de opção de compra, com relatos de entregas forçadas e bloqueio de concorrentes em áreas de atuação.

As regiões citadas incluem Campo Grande, na Zona Oeste, e Madureira, na Zona Norte. Indícios apontam que as operações visam manter um fluxo de receitas para organizações criminosas, que financiam atividades de controle territorial.

Impacto econômico e investigações em andamento

Com o domínio dos fornecedores, preços sobem para o consumidor, especialmente em itens básicos como farinha, ovos, alho, cebola, carvão e gás. Em algumas localidades, o preço do frango assado subiu de cerca de 10 reais para até 40 reais.

A polícia informou que o controle da venda de produtos representa uma fonte relevante de renda para as facções e milícias, alimentando um “caixinha” usado em armas e manutenção do domínio. Advogados de uma empresa envolvida disseram não ter acesso às imagens da reportagem, classificando as informações como especulação.

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