- ONS acionou um plano emergencial para evitar blecaute, ordenando cortes na geração de pequenas usinas conectadas às redes das distribuidoras.
- Foram acionadas 12 distribuidoras, com cortes somando 1.000 megawatts entre as 10h e as 14h de domingo, no pico da geração solar.
- Tiveram cortes concessionárias de grupos como CPFL, Cemig, Copel, Neoenergia, Celesc e Equatorial, principalmente em pequenas hidrelétricas, usinas a biomassa e mini-usinas solares.
- A medida amplia o regime de cortes já comum para grandes parques (curtailment) e envolve usinas menores, cuja regulação ainda gera controvérsia e insegurança jurídica.
- O contexto envolve crescimento da geração descentralizada (painéis em telhados e mini-usinas) que já supera 48 gigawatts, plus o desafio de demanda noturna e novos leilões para reforçar a rede.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) acionou um plano emergencial para evitar um blecaute, diante de excesso de geração e queda de demanda no Brasil. O objetivo é manter o equilíbrio entre oferta e consumo minuto a minuto.
A medida envolve cortes na geração de pequenas usinas conectadas às redes das distribuidoras. No fim de semana, o ONS pediu cortes que totalizaram 1.000 megawatts entre as 10h e 14h, horário de pico da geração solar.
Concessionárias de grupos como CPFL, Cemig, Copel, Neoenergia, Celesc e Equatorial executaram os cortes, principalmente de pequenas hidrelétricas, plantas a biomassa e mini-usinas solares de autoprodução.
Medidas adotadas e impactos
A prática de reduzir a produção em grandes parques eólicos e solares já ocorre desde 2023, mas a extensão para usinas menores é inédita e envolve as próprias distribuidoras na operação.
A regulamentação da nova modalidade foi aprovada pela Aneel em novembro, gerando controvérsia sobre perdas de receita e responsabilidade no processo de cortes.
Desafios da regulação e da atuação das distribuidoras
A definição de quem terá geração limitada não traz critérios detalhados, o que suscita dúvidas sobre transparência e possibilidade de favorecimentos entre concorrentes. Pequenas usinas também ficaram sujeitas aos cortes.
A Abradee pediu maior detalhamento dos procedimentos para evitar inseguranças jurídicas. Executivos de energia solar apontam a falta de uma política pública estruturante para acompanhar a expansão da geração descentralizada.
Cenário de energia no Brasil
Especialistas ressaltam que o país tem mais de 48 gigawatts de geração distribuída solar, segunda fonte de energia no país. A expansão desafia a gestão da rede em tempo real pelo ONS.
O setor aponta que o problema não é apenas o crescimento da fonte renovável, mas a necessidade de políticas públicas, inclusive na tributação de sistemas de armazenamento de energia.
Panorama e próximos passos
Paralelamente, o ONS enfrenta risco de falta de capacidade no início da noite, quando a demanda sobe e a geração solar cai. Leilões recentes buscam reforçar a rede com termelétricas e baterias para armazenar excedentes.
O governo aprovou, neste ano, leilões de capacidade e de baterias para reforçar a rede nos próximos anos, com o objetivo de reduzir vulnerabilidades em horários de pico.
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