- A conectividade aérea não voltou ao nível pré‑pandemia, apesar da recuperação de passageiros; o número de rotas caiu de seu pico de 70.174 entre 2015 e 2019 para 68.972 em 2025.
- Na América Latina, as rotas recuaram de 4.109 para 3.961 no mesmo período, conforme a IATA.
- A IATA aponta que regulamentos excessivos e carga tributária elevada atrapalham a expansão, sugerindo reduzir regras, impostos sobre passageiros e resolver limites de capacidade e proteção de dados.
- Na União Europeia, reformas propostas para direitos dos passageiros sofrem resistência de Estados‑miembros e do Parlamento, com controvérsia sobre o tempo de compensação (3, 4 ou 5 horas) e impacto financeiro.
- Em destaque, impostos sobre aviação são apontados como entrave; mais de US$ 60 bilhões arrecadados anualmente; exemplos incluem Suécia, Alemanha e debate no Brasil sobre IVA de 26,5% nas passagens.
A conectividade aérea não voltou ao patamar pré-pandemia, indicando fragilidade do setor. Dados da IATA mostram que, apesar da recuperação de passageiros, o total de rotas permanece abaixo do 2019. Entre 2015 e 2019 houve crescimento de 3% ao ano, com 70.174 rotas no auge; em 2025 foram 68.972.
A crise da cadeia de suprimentos reduz a entrada de novas aeronaves, limitando a capacidade de ampliar rotas. Na América Latina, o número de rotas caiu de 4.109 para 3.961 no mesmo intervalo de comparação.
A IATA aponta que o quadro é complexo e envolve estratégias das companhias, mudanças nos hábitos de viagem e falhas na cadeia de fornecimento. Dados indicam que a recuperação de demanda ocorreu, mas a malha de rotas não se recompôs.
Regulação e incentivos
A entidade aponta que governos podem contribuir para a recuperação reduzindo regulação excessiva e peso fiscal, sobretudo impostos sobre passageiros. Também é citado o redesenho de regras de proteção de dados e de capacidade.
Na União Europeia, o tema envolve o pacote de direitos dos passageiros. A IATA critica que limitações de compensação entre 3 e 4 horas prejudicam operações. O debate ocorre entre Comissão, Estados-membros e Parlamento.
Na América Latina, há cerca de 150 propostas regulatórias, das quais 113 são vistas como negativas para a aviação. Entre elas estão limites tarifários e questões de franquia e escolha de assento, segundo o levantamento da IATA.
Impostos e efeitos sobre tarifas
O extravante de impostos é destacado como entrave ao crescimento. A indústria registra mais de US$ 60 bilhões de arrecadação anual. Alguns governos já tomaram caminhos diferentes para aliviar custos.
A Suécia aboliu o imposto sobre passageiros; a Alemanha anunciou reversão parcial de seu imposto. Na França, houve reajuste da chamada taxa de solidariedade, com impactos reportados na participação de mercado. O Brasil está sob avaliação de uma cobrança de IVA de 26,5%.
A IATA afirma que impostos mais altos elevam tarifas e reduzem demanda, especialmente em mercados regionais sensíveis ao preço. A entidade ressalta que as companhias querem pagar o devido, mas pedem cautela para não comprometer a conectividade.
O texto destacaria ainda que o Brasil discute a aplicação do IVA. A organização reforça a necessidade de equilíbrio entre arrecadação e manutenção de rotas acessíveis.
*O jornalista viajou a convite da IATA.*
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