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Copom sob pressão pode atrasar decisão de política monetária

Copom se reúne diante de inflação em alta, petróleo alto e risco climático, avaliando manutenção ou novo recuo da Selic diante contas públicas deterioradas

Copom se reúne na próxima semana para definir a taxa Selic. (Foto: ChatGPT sobre foto de Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil)
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  • O Copom se reúne na próxima semana para decidir se interrompe ou mantém o ciclo de afrouxamento monetário, com a Selic em 14,50% ao ano após última queda de 0,25 ponto em abril. O Boletim Focus de início de 2026 projetava 12,25% em 2026, 10,50% em 2027 e dígito em 2028; hoje as projeções são, respectivamente, 13,50%, 11,50% e 10%.
  • O cenário externo mais desafiador inclui a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel e o choque do petróleo, que mantêm a inflação pressionada.
  • A possibilidade de um Super El Niño aumenta incertezas climáticas e pode afetar regiões produtoras, com impactos potenciais nos preços de alimentos.
  • As contas públicas seguem deterioradas, com o governo ampliando gastos para estimular a economia, estimulado pelo calendário eleitoral, gerando efeitos de curto prazo e riscos fiscais.
  • A inflação também tem sido revista para cima: a projeção do IPCA para 2026 passou de 4,06% para 5,11%, contribuindo para a persistência de desancoragem das expectativas e para o tom contracionista do Copom.

Na próxima semana, o Copom se reúne para decidir se interrompe ou mantém, com que intensidade, o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em março. A taxa Selic caiu 0,25 ponto percentual após manter-se em 15% por nove meses, e chegou a 14,50% ao ano.

Além disso, o Boletim Focus de início de 2026 projetava queda mais expressiva para a Selic até o fim de 2026, estimando 12,25%, 10,50% em dezembro de 2027 e retorno a dígitos em 2028. As projeções presentes no boletim mais recente indicam 13,50%, 11,50% e 10%.

Contexto externo e previsões de inflação

O cenário internacional envolve a guerra entre EUA, Irã e Israel, que elevou preços de petróleo e pressionou a inflação global. Mesmo com tréguas políticas, os preços da commodity permanecem acima de patamares pré-conflito, impactando custos de produção e combustíveis.

Outro fator relevante é a possibilidade de um Super El Niño, capaz de alterar padrões climáticos globais. Secas no Norte e Nordeste, chuva excessiva no Sul e irregularidade hídrica no Sudeste e Centro-Oeste podem afetar safras e pressionar preços de alimentos, conforme analistas.

Contas públicas e cenário doméstico

Internamente, as contas públicas seguem desorganizadas. O governo mantém gasto elevado na tentativa de estimular a economia antes das eleições, com renúncias fiscais e subsídios que, segundo analistas, elevam riscos de mau desempenho fiscal no médio prazo.

Nesse contexto, as previsões para a inflação sobem. A projeção para o IPCA em 2026 passou de 4,06% para 5,11%, de acordo com mercados que acompanham o comportamento da inflação. A desancoragem de expectativas tem sido um dos principais gatilhos para o Copom manter uma política monetária contracionista.

Perspectivas para a próxima semana

Com esse conjunto de fatores, o Banco Central terá de balancear sinais de desaceleração econômica, volatilidade externa e pressões inflacionárias ao definir o ritmo do aperto ou do afrouxamento da política monetária. A decisão será destinada a conter a inflação sem comprometer o crescimento.

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