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Da ascensão ao colapso: a trajetória da Companhia Brasileira de Tratores

Da manufatura de tratores à falência: CBT encerra a produção em novembro de 1995; falência decretada em março de 1997, com 1.846 empregos perdidos

Nas décadas de 1970 e 1980, a CBT reinou absoluta no mercado de tratores brasileiro ao resolver gargalos específicos do produtor nacional
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  • Do 4º Encontro de Tratores CBT, realizado em Toledo (PR), participaram milhares de pessoas para acompanhar máquinas históricas, enquanto a CBT já havia encerrado atividades há anos.
  • A CBT, criada por Mário Pereira Lopes, instalou fábrica em Ibaté e em São Carlos (interior de São Paulo) e produziu cerca de 111 mil tratores até 1995, fortalecendo a indústria nacional de base.
  • O modelo emblemático CBT 2105, lançado em 1982, usava motor Mercedes-Benz OM-352 a diesel, tinha até 110 cavalos de potência, pesava 3,8 toneladas e oferecia robustez para uso remoto, com peças de reposição amplamente disponíveis.
  • A empresa diversificou com o CBT Tarpan, aeronave agrícola, e o jipe Javali, mas ambas as apostas falharam diante de custos altos, concorrência e abertura de mercado nos anos noventa.
  • A CBT faliu oficialmente em 1997, com demissão de 1.846 trabalhadores e dívida estimada em cerca de R$ 400 milhões, levando ao leilão de ativos; imóveis viraram centro tecnológico da TAM, e uma cooperativa de ex-funcionários mobilizou-se para receber verbas, sem sucesso definitivo.

Em meados do ano passado, o eco de dezenas de motores a diesel marcou o 4º Encontro de Tratores CBT, em Toledo (PR). O evento reuniu milhares de pessoas, de produtores locais a visitantes de outros estados e do Uruguai, para celebrar tratores já fora de linha há décadas.

Essa história remete à era de ouro da Engenharia de base brasileira. A CBT nasceu no interior paulista, foi criada por Mário Pereira Lopes e funcionou em Ibaté e São Carlos, com foco na substituição de importações e soluções específicas para o campo.

O objetivo era superar falhas de tratores importados diante das dificuldades do Cerrado, oferecendo máquinas com alto torque e disponibilidade de peças. Ao longo de sua atividade, a CBT produziu cerca de 111 mil tratores, encerrando as operações em 1995.

Consolidação e modelo de negócio

O modelo CBT privilegiou ruggedness: o destaque ficou para o CBT 2105, lançado em 1982. O trator 4×2 utilizava o motor Mercedes-Benz OM-352, sem eletrônica avançada, priorizando durabilidade e facilidade de manutenção.

Com 110 cavalos e peso de até 5,3 toneladas, o equipamento era projetado para solos duros e atividades pesadas. As peças eram amplamente disponíveis, o que reduzia o tempo de paradas em oficinas rurais.

A memória do CBT 2105 persiste em fóruns, perfis de redes sociais e comunidades que valorizam a mecânica antiga. Tratores com peças originais mantêm valor no mercado secundário.

Diversificação e impacto financeiro

A CBT diversificou seus negócios, lançando a aeronave agrícola CBT Tarpan e o jipe off-road Javali, entre 1989 e 1994. Os custos elevados e a concorrência impediram a consolidação comercial, com produção do Javali em torno de mil unidades.

Na virada dos anos 1990, a abertura de importações e a redução de crédito rural dificultaram a sobrevivência. A CBT acabou não acompanhando inovações de mercado, levando à queda de receita e ao encerramento da linha de montagem em 1995.

Falência e desdobramentos legais

Em novembro de 1995, a Dani Condutores Elétricos pediu falência da CBT na comarca de São Carlos. O decreto definitivo saiu em 26 de março de 1997, abrangendo a massa falida de todo o grupo.

A dissolução provocou a demissão de 1.846 trabalhadores, que formaram uma cooperativa para pleitear verbas rescisórias. A dívida total chegava a aproximadamente R$ 400 milhões, incluindo R$ 100 milhões com o BNDES.

O maior acervo de ativos foi leiloado para quitar credores, com recursos prioritários aos ex-funcionários. Enquanto isso, a cooperativa estudou reativar a linha de montagem, mas o financiamento foi inalcançável.

Legado e memória industrial

Os imóveis do parque industrial passaram a ser usados por uma empresa aérea e depois tornaram-se museu aeronáutico e centro tecnológico. A massa falida permanece administrada por escritório especializado.

A história da CBT evidencia os dilemas da industrialização brasileira: inovação técnica viabilizada por uma indústria nacional forte no passado contrasta com a abertura de mercados e a pressão por modernização externa. O rastro do trator amarelo ainda ressoa no interior.

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