- O dólar à vista fechou em R$ 5,1803, maior nível desde 30 de março de 2026, com câmbio ganhando força na segunda-feira (8.
- Investidores adjustaram posições diante da visão de que o cessar-fogo no Oriente Médio continua frágil, após relatos de ataques entre Irã e Israel.
- O payroll forte da semana anterior sustenta a expectativa de juros americanos elevados por mais tempo, o que dificulta o carry trade.
- O cenário mantém o Copom com menos espaço para cortar juros, segundo analistas, o que pode manter a pressão sobre o real.
- O Brent para agosto subiu para US$ 94,25 por barril, com o petróleo reagindo ao pessimismo no mercado de câmbio e às dinâmicas de poder no estreito de Ormuz.
O dólar turismo à vista fechou em alta no fim da tarde desta segunda-feira, 8, atingindo o maior nível desde 30 de março de 2026, em meio a incertezas provocadas pela escalada de conflitos entre Irã e Israel. O movimento ocorreu após o fim de semana marcado por rupturas no cessar-fogo no Oriente Médio.
A moeda encerrou em R$ 5,1803, alta de 0,45%. Durante o dia, chegou a tocar R$ 5,1951, após recuar brevemente no início da sessão. O comportamento reflete demanda por proteção diante de cenários de maior risco geopolítico.
O receio de investidores também foi ampliado pela percepção de que o payroll de maio foi acima do esperado, fortalecendo a visão de que os EUA manterão juros elevados por mais tempo. Isso reduz o apetite por carry trade e sustenta a valorização do dólar.
Além disso, cresce a dúvida sobre o espaço de manobra do Copom para cortar juros, diante de cenários internacionais mais tensos e da persistência de fatores de inflação. O mercado monitora ainda a condução da política monetária brasileira.
O contrato futuro para julho, no mercado local, subia 0,19% perto das 17h, a R$ 5,2100. Já o índice DXY, que mede o valor do dólar ante grandes pares, operava com leve queda de 0,06%.
No fronto energético, o preço do petróleo Brent para agosto avançou 1,25%, para US$ 94,25 por barril, reagindo à tensão geopolítica que envolve o estreito de Ormuz, área estratégica para o fluxo de petróleo global.
Especialistas destacam que o ritmo do conflito no Oriente Médio continua sendo um fator central para o câmbio. Embora tenha havido declarações de suspender operações, a percepção de risco permanece elevada entre investidores.
Entre os analistas, Guilherme Souza, da Ativa Investimentos, afirma que o estresse no câmbio está fortemente ligado ao conflito regional. Beto Saadia, da Nomos, aponta que cenários de negociação entre EUA e Irã não necessariamente reduzem a aversão ao risco.
Saadia vê potencial de o Irã exigir benefícios estratégicos caso haja novos ataques, o que reforça a ideia de um ambiente de maior volatilidade. O cenário influencia não apenas o câmbio, mas também a avaliação de ativos em risco no curto prazo.
A visão de que o mercado pode revisar expectativas de juros nos EUA caso os dados continuem fortes sustenta a pressão sobre ativos de risco e pode favorecer a demanda por Treasuries em detrimento de ativos brasileiros.
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