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El Niño pode afetar economia e segurança hídrica do país

El Niño pode reduzir chuvas, aumentar volatilidade de preços e impactos na agricultura, energia hidrelétrica e segurança hídrica, com probabilidade acima de 80% a partir de agosto de 2026

6 - Por que está tão quente? - As ondas de calor em novembro foram assunto por todo o Brasil. De acordo com especialistas, as mudanças climáticas associadas ao fenômeno El Niño fizeram as temperaturas baterem seguidos recordes para o período. - (crédito: Flickr carlosbezz)
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  • O El Niño pode trazer secas, queimadas, chuvas extremas e impactar economia e segurança hídrica do Brasil, com avaliação de meses decisivos para confirmar intensidade.
  • Especialistas apontam que, se confirmado, o fenômeno tende a reduzir chuvas em várias regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste) e aumentar na Região Sul, seguindo padrões históricos.
  • Os impactos econômicos devem se concentrar na agricultura, geração hidrelétrica, custos logísticos e, consequentemente, nos preços dos alimentos.
  • A probabilidade de formação do El Niño para o segundo semestre de 2026 pode superar oitenta por cento a partir de agosto, segundo a NOAA, mas ainda não há evidência de evento extremo like 1997/98 ou 2015/16.
  • O contexto atual, aliado a mudanças climáticas, pode intensificar ondas de calor, evapotranspiração e estresse hídrico, elevando o risco para a safra 2026/27 e para cadeias produtivas.

O El Niño pode impactar a economia e a segurança hídrica do Brasil, com risco de secas, queimadas e chuvas extremas. O governo monitora a evolução do fenômeno e especialistas defendem medidas preventivas para reduzir impactos climáticos e econômicos.

As equipes técnicas avaliam que os próximos meses serão decisivos para confirmar se o Brasil enfrentará apenas mais um episódio ou um evento de intensidade excepcional. A projeção é de padrões regionais diferentes conforme as regiões do país.

Segundo Daniel Caiche, professor de MBA na FGV, a confirmação de um El Niño intenso tende a reduzir chuvas em parte das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, enquanto a Região Sul pode ter volumes acima da média.

Na prática, os efeitos econômicos mais relevantes costumam ocorrer na agricultura, na geração hidrelétrica e nos custos logísticos, impactando, por consequência, os preços dos alimentos. A menor produtividade de culturas dependentes de chuva eleva a volatilidade de preços.

As projeções sobre intensidade apontam maior probabilidade de formação do El Niño no segundo semestre de 2026, com chances superiores a 80% a partir de agosto, segundo modelos internacionais citados pelo pesquisador.

Apesar disso, ainda não há evidência de um evento extremo equivalente aos registrados em 1997/98 ou 2015/16, acrescenta Caiche, que ressalta a influência de temperaturas globais elevadas e da evapotranspiração no país.

Mudanças climáticas

A situação atual pode amplificar os efeitos do El Niño, devido ao aquecimento global que intensifica ondas de calor e estresse hídrico no país, segundo o especialista. A atuação do Atlântico Tropical também é determinante para a distribuição de chuvas.

No campo agrícola, os impactos variam por região. Em Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste, soja, milho e algodão aparecem como culturas mais sensíveis, principalmente nos estágios iniciais. No Sul, o risco é o excesso de chuva.

A pecuária também é citada entre os setores vulneráveis, com risco de redução de pastagens e maior estresse térmico em áreas secas, o que pode reduzir a oferta de carne e leite.

Quanto aos preços, os efeitos dependem da intensidade do fenômeno. Reduções de produtividade em soja e milho podem pressionar toda a cadeia agroalimentar, influenciando custos de proteína animal e exportações.

Especialistas ressaltam a necessidade de cautela nas projeções, dada a diversidade regional brasileira, que pode favorecer compensações entre perdas e ganhos. O principal efeito esperado é o aumento da percepção de risco para a safra 2026/27.

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