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Especialistas destacam riscos e armadilhas da IA nas empresas

Especialistas apontam armadilhas na adoção de IA: decisões de implantação inadequadas exigem retrofit alinhado ao negócio e métricas de resultado

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  • Falhas na adoção de IA costumam ocorrer por decisões ruins de implantação, não por desinteresse; exemplo: chatbot premiado que não alterou a linha de receita após dezoito meses.
  • A IA deve ser tratada como negócio, com foco em dados e adoção, não apenas um projeto de TI; fornecedores podem incentivar pacotes adicionais com mais recursos.
  • Provas de conceito em IA generativa são rápidas, mas levadas para produção demoram meses ou anos; há risco de alucinações e de usuários burlando sistemas.
  • Método de AI retrofit propõe modernizar a estrutura existente sem demolir a empresa, com quatro passos: mapear fluxo, acoplar sem parar operação, medir por métricas de negócio e escalar; validação deve usar dados reais em semanas.
  • Pequenos setores regulados costumam favorecer a IA; no Brasil, há potencial de ganho de produtividade ao aprender com mercados maduros.

A adoção de inteligência artificial nas empresas costuma falhar mais por decisões ruins de implantação do que por falta de interesse na tecnologia. Foi o que apontaram Teodora Barone, fundadora da Asimi Investments, e Dionisio Chiuratto Agourakis, CEO da JAI, no painel Do que falha na implantação de IA, no AI Summit EXAME em São Paulo, no dia 2 de junho. O evento contou com parceria entre EXAME e Saint Paul, reunindo especialistas por mais de oito horas de conteúdo.

Segundo os especialistas, o erro começa na escolha do que automatizar. Muitas companhias optam por projetos periféricos e equipes juniores, longe do core business. O resultado costuma ser pouco impactante, como um chatbot premiado que não altera a linha de receita após o investimento.

O problema vai além da TI

A dupla destaca que a IA precisa ser tratada como algo que se integra ao negócio, não como um pacote pronto de TI. Dados, adoção e cultura ganham peso para o sucesso. Prestadores de soluções muitas vezes acrescentam funções para vender pacotes adicionais, em uma prática descrita como incentivo a modelos com mais opções pagas.

O CEO da JAI aponta ainda a diferença entre demonstração rápida e entrada em produção. Provas de conceito podem levar a soluções que demoram anos para operar efetivamente, especialmente em ambientes complexos. Modelos ainda apresentam alucinações por padrão, o que gera retrabalho e pode levar ao remoção da IA da operação.

Barone exemplifica com casos de falha: quando a IA não entrega resultados de negócio mensuráveis, a direção tende a desativar a tecnologia. Agourakis completa que esse tipo de episódio diminui a disposição da diretoria para futuras iniciativas de IA.

Como evitar o abismo entre demonstração e produção

Os especialistas rejeitam quatro justificativas comuns para falhas: dados ruins, ausência de cientistas de dados, custo elevado e ERP desatualizado. Eles ressaltam que nenhum deles impede o progresso, desde que haja abordagem adequada.

A recomendação é o AI retrofit, que moderniza a estrutura existente sem demolir o que já funciona. O objetivo é acoplar IA aos sistemas atuais, preservando o DNA da empresa. O processo envolve mapear o fluxo certo, manter a operação durante a implementação, medir resultados com métricas de negócio e escalar gradualmente.

Os quatro passos propostos incluem mapear o fluxo de alto impacto sem interromper operações, validar com dados reais e obter ganhos em semanas. Projetos de menor dificuldade, como automação de notas fiscais e validação de dados, costumam entregar resultados rápidos, enquanto iniciativas mais ousadas trazem maior incerteza de prazo e custo.

Sets regulados, como seguros e hospitais, aparecem como ambientes favoráveis para IA, já que regras claras reduzem interpretações abertas do sistema. A adoção é vista como vantagem para workflows críticos, desde que haja regras bem definidas.

Perspectiva brasileira e futuro da IA

Sobre o cenário no Brasil, Barone afirma que o país não está atrasado, mas tem potencial expressivo para elevar produtividade. A vantagem de chegar depois, segundo ela, é evitar erros já enfrentados em mercados mais maduros. A conversa no AI Summit reforçou a necessidade de alinhar tecnologia, estratégia e governança.

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