- O Guardian noticia um relatório da World Inequality Lab, liderado por Thomas Piketty, que defende elevar o nível de vida, reduzir a desigualdade e manter o aquecimento global abaixo de dois graus.
- O objetivo é convergir países pobres ao patamar de renda dos países ricos — cerca de €5.000 por pessoa por mês em paridade de poder de compra; na África Subsaariana, o patamar seria de €290.
- Propõe uma nova arquitetura fiscal e monetária global: impostos aos muito ricos para financiar o público, plus uma “clearing union” Keynesiana e uma nova moeda internacional para ampliar o espaço de gasto estatal.
- Segundo o relatório, o padrão de vida desejado não é consumo privado ilimitado, mas serviços públicos estáveis, mais tempo de lazer e estabilidade climática; e seria uma vida de alta qualidade para muitos, talvez até superior a hoje em muitos países desenvolvidos.
- O texto reconhece resistência política e cultural, especialmente em países ricos, mas sustenta que a transição verde deve ocorrer por meio de mecanismos democráticos, não decisões tecnocráticas, com menos desperdício e mais segurança, lazer e “luxo público”.
O Guardian destacou, na última semana, uma visão ambiciosa para a sobrevivência do planeta: é possível elevar o padrão de vida, reduzir a desigualdade e manter o aquecimento global abaixo de 2°C. A análise chega por meio do Global Justice Report, elaborado pelo World Inequality Lab, ligado a Thomas Piketty.
O estudo apresenta um quadro otimista: a transição climática, a “suficiência” e a igualdade seriam compatíveis com uma vida boa para a maioria da população, mesmo diante de pressões políticas e econômicas atuais.
O relatório identifica entraves importantes, como plutocracia, o poder dos EUA e políticas climáticas tímidas que deixam elites relativamente inalteradas. Quem pode promover mudanças são sindicatos, movimentos cidadãos e coalizões de países, defendendo uma via democrática para a transição verde.
Propostas centrais
O documento propõe que todos os países alcancem, hoje, o nível de renda de 5 mil euros por pessoa ao mês, ajustado pela paridade de poder de compra. Para a África subsaariana, o alvo é de 290 euros mensais por pessoa.
A economia global precisaria de uma nova arquitetura fiscal e monetária: tributos sobre os mais ricos financiam o espaço público, e uma união de caixa tipo Keynesiana, aliada a uma nova moeda internacional, reduziria restrições externas que limitam gastos estatais.
O padrão de vida almejado não é o consumo privado desenfreado, mas serviços públicos estáveis, mais lazer e clima estável. O relatório descreve esse objetivo como um estilo de vida elevado e potencialmente mais feliz do que a média atual dos países desenvolvidos.
A condição crítica para a mudança passa pela transformação de cadeias de produção, como as minas de cobre e coltan na África, que empregam trabalhos perigosos e mal remunerados. O texto convoca que, se minerais africanos alimentarem a transição, isso ocorra com fortalecimento da capacidade industrial local.
O relatório aponta que, hoje, o consumo privado elevado não pode ser adotado por toda a população dentro do orçamento de 2°C. A proposta passa por reduzir desperdícios, trabalho excessivo e aluguel onerosos, ampliando a segurança, o tempo livre e o investimento público.
Críticos podem ver a proposta como utópica. Ainda assim, o documento enfatiza a necessidade de compreender a oferta como menos desperdício e mais bem-estar coletivo, em vez de menos para alguns.
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