- O setor aéreo brasileiro enfrenta custos elevados com combustível, além de judicialização e acesso restrito a crédito, freando o crescimento.
- O CEO da Azul, John Rodgerson, defende maior protagonismo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na definição de regras, para reduzir incertezas regulatórias.
- Rodgerson aponta conflitos entre normas e leis, o que aumenta a imprevisibilidade e dificulta a entrada de novos players.
- O Brasil concentra apenas três por cento dos voos mundiais, mas responde por quase cem por cento dos processos judiciais globais, conforme o executivo.
- A Azul mantém foco em Campinas, Confins, Recife e Curitiba, e diz que a competição é bem-vinda desde que haja isonomia regulatória e condições iguais para todos.
O setor aéreo brasileiro enfrenta novos riscos diante do aumento dos combustíveis, dos custos operacionais e de um ambiente regulatório considerado desafiador. Em entrevista à BM&C News, o CEO da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, pediu mudanças no regime regulatório e no aparato jurídico que envolve a aviação no país.
Rodgerson destacou que o problema vai além do preço do querosene de aviação. Segundo ele, a combinação de judicialização elevada, custo operacional alto e dificuldade de acesso a crédito restringe o crescimento do setor. A fala ocorre em meio a avaliações sobre o impacto dos combustíveis na oferta de voos e tarifas.
Para o dirigente, fortalecer o papel da Anac é crucial para reduzir inseguranças. Ele defende que a agência tenha maior protagonismo na definição de regras, evitando conflitos com normas de defesa do consumidor e regras que causem imprevisibilidade para as empresas.
“ A Anac tem as regras, e o que temos visto são leis conflitantes”, afirmou Rodgerson. Ele também disse que o ambiente de disputas judiciais no Brasil distorce o cenário global, dificultando a entrada de novos concorrentes e a expansão da malha aérea.
O executivo citou números para sustentar a percepção de impacto regulatório: o Brasil hoje representa cerca de 3% dos voos mundiais, enquanto concentra aproximadamente 98% dos processos judiciais no setor, segundo sua avaliação.
Além da judicialização, Rodgerson ressaltou o custo do combustível como uma barreira relevante. Ele afirmou que o país não é suficientemente competitivo, mesmo com produção local de petróleo e capacidade de refino, o que eleva o custo para as companhias.
Sobre a entrada de novas operadoras no Brasil, o CEO disse que o mercado está aberto há anos, mas não atraiu operadores relevantes. questionou: por que ninguém veio para o Brasil, apesar da abertura regulatória?
Ainda assim, a Azul mantém o foco em sua estratégia de operação, destacando as praças de Campinas, Confins, Recife e Curitiba como prioritárias para expansão. A meta é melhorar eficiência por meio de hubs centrais, ampliando rotas regionais e conectando com demais trajetos.
Rodgerson afirmou que não se prende às movimentações de concorrentes, mas à própria execução — trabalhar para tornar a Azul cada vez mais rentável. Ele sustentou que o objetivo é melhorar operações dia após dia, mantendo a responsabilidade com o plano traçado.
Quanto à concorrência, o executivo disse que a entrada de novas companhias exigiria tratamento igual para todos, sob regras semelhantes. Abertura de mercado, de acordo com ele, não resolve sozinha os gargalos da aviação brasileira.
A discussão sobre novas empresas no Brasil ocorre em meio a rumores sobre a ampliação de concorrência para reduzir tarifas. Rodgerson reiterou que o ambiente regulatório e a disponibilidade de crédito continuarão a moldar o cenário, independentemente de quem entre no país.
O alerta de queda na oferta pode se agravar em 2026 caso o custo do combustível permaneça alto. Uma reportagem do Estadão aponta a possibilidade de redução de até 10 milhões de passageiros no próximo ano, caso a energia tenha impacto significativo sobre custos e demanda.
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