- A Copa do Mundo de 2026 não ocupa o centro da atenção na China, onde a seleção permanece ausente da competição.
- A China Media Group zoomou as negociações com a Fifa apenas semanas antes do início do torneio, após a FIFA pedir valores altos pelos direitos de transmissão.
- A Fifa avaliou direitos entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões, valor considerado incompatível com o orçamento da CMG, o que atrasou o acordo.
- Pesquisas na China mostram que muitos torcedores acham os preços de transmissão elevados e que o público chinês consome cada vez mais entretenimento diversificado, não apenas futebol.
- Mesmo com a Copa nos Estados Unidos, Canadá e México, a ideia é que o torneio seja mais uma entre várias opções de conteúdo para a segunda maior economia do mundo.
A Copa do Mundo já não ocupa a mesma posição na China. O país passa por mudanças nos hábitos de consumo e na forma de acompanhar o torneio, que não exige mais acompanhar todas as partidas na televisão. A ausência da seleção chinesa em 2026 também influencia esse cenário.
Ao longo dos anos, a relação da China com o futebol divergiu do que era visto nas décadas de 1990 e 2000. Hoje, a competição é apenas uma entre várias opções de entretenimento disponíveis para uma população conectada. A relação antiga com o ritual noturno não se repete com a mesma intensidade.
Mudanças no acordo de transmissão
As negociações entre a FIFA e a China Media Group (CMG) destacam a mudança. Diferentemente de acordos fechados com meses de antecedência, o acordo de 2026 foi anunciado apenas semanas antes do torneio. A FIFA pediu valores entre 250 milhões e 300 milhões de dólares.
Essa faixa de preço excedeu o orçamento da CMG e atrasou o fechamento do contrato, segundo o Beijing Daily. A demora expõe uma prática cada vez mais comum na China: a de situar o evento esportivo dentro de um leque maior de opções de entretenimento.
Demanda por valor e contexto de consumo
Pesquisas locais indicam insatisfação com o custo dos direitos de transmissão. Além disso, muitos torcedores entendem que o torneio precisa do público chinês mais do que o inverso. A ideia reflete uma transformação social mais ampla na China contemporânea.
Em 2002, quando a China disputou sua única Copa, a futebol ainda ocupava espaço central na cultura esportiva. Hoje, o país tem um ecossistema de entretenimento mais amplo, com séries, streaming, jogos e eventos esportivos locais competindo pela atenção.
Mudanças no consumo de futebol
Entre os jovens, a visualização de jogos completos cede espaço aos melhores momentos compartilhados em celular. Um gol ou jogada viral alcança milhões sem acompanhar os 90 minutos. Esse comportamento altera a forma de mensurar o impacto da Copa.
Paralelamente, proliferam iniciativas locais. Campeonatos locais, como a Liga de Jiangsu, mostram que o futebol pode movimentar turismo e economia regional, ampliando o interesse além das ligas europeias.
Cenário atual e projeções
O futebol segue relevante para a audiência chinesa, mas não com o mesmo peso de décadas atrás. O país mantém um mercado de entretenimento diversificado, onde a Copa faz parte de um conjunto de opções digitais e presenciais.
Quando a Copa começar nos Estados Unidos, Canadá e México, em junho, espera-se que a audiência chinesa permaneça ampla, porém menos central. A tendência aponta para uma participação consolidada entre múltiplas plataformas de consumo.
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