- Em maio, as importações de petróleo bruto da China caíram para o menor nível em oito anos, totalizando 33,08 milhões de toneladas, 14% a menos que abril e 29% abaixo de maio de 2023.
- O Brent fica abaixo de 100 dólares o barril há mais de uma semana, ainda mais de 50% acima dos níveis pré-guerra, mas recuando em relação aos picos de maio.
- A queda de demanda chinesa ocorre enquanto as refinarias reduziram operação; utilização média caiu de 73,2% no início da guerra para 61% no começo de junho.
- Analistas citados pelo mercado apontam que a China tem sido a principal força de reequilíbrio, com redução de cerca de 3 milhões de barris por dia nas importações desde fevereiro.
- Estudos e relatos indicam deterioração da demanda na China, com impactos em consumo, indústria e logística, e incerteza sobre o tamanho real dos estoques estratégicos globais.
A queda nas importações de petróleo da China tem atuado como contrapeso aos custos elevados, mantendo o petróleo sob controle enquanto o mercado encara mais de 100 dias de pressão causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Analistas ressaltam que o cenário pode mudar caso a demanda chinesa se reaqueça nas próximas semanas.
Em maio, as importações de petróleo da China caíram para o menor patamar em oito anos, totalizando 33,08 milhões de toneladas. O recuo foi de 14% frente a abril e de 29% ante o mesmo mês do ano passado, segundo dados alfandegários divulgados nesta semana.
O Brent caiu abaixo de 100 dólares por barril pela primeira vez em semanas, ainda que permaneça mais de 50% acima dos níveis pré-guerra. O preço segue influenciado pelas incertezas da oferta global e pela redução da atividade industrial na China, que impacta demanda.
Mike Haigh, chefe global de pesquisa de commodities do Société Générale, aponta que a China atua como força de reequilíbrio do mercado. A queda das importações para pouco menos de 9 milhões de barris por dia em maio representa grande parte da demanda de petróleo bruto do Japão.
Segundo Haigh, a redução é uma das maiores compensações ao choque, superando apenas o redirecionamento de fluxos da Arábia Saudita e ficando acima de liberações estratégicas de EUA, Europa e Japão. Refinarias chinesas viram utilização cair de 73,2% para 61% entre fevereiro e junho.
Refinarias pequenas, grandes compradoras de petróleo iraniano com desconto, parecem ter tido desempenho ainda pior. Duncan Wrigley, da Pantheon Macroeconomics, afirma que esse segmento foi mais impactado pela alta de preços.
Desempenho econômico doméstico e perspectivas
A alta dos preços do petróleo está pressionando a atividade econômica na China, com o setor aéreo entre os mais afetados. A média diária de voos domésticos caiu para 11.873 em maio, 6% abaixo de abril e 8,3% em relação ao ano anterior, segundo a VariFlight.
Relatórios do JP Morgan, que visitaram a China no final de maio, indicam que a demanda pode ter recuado até 9%, ou 1,5 milhão de barris por dia, de modo abrupto e com poucas interrupções visíveis. A equipe vê decisões econômicas de consumidores mais do que ordens oficiais.
Analistas destacam que, mesmo com o choque de preço, importações de bens da China cresceram 27,4% em maio ante o ano anterior, enquanto as exportações avançaram 19,4%. O governo chinês também atuou para minorar o impacto, reduzindo o teto de preço da gasolina no varejo e as sobretaxas de combustível.
Estoque global de petróleo permanece incerto, com o tamanho exato das reservas estratégicas ainda não divulgado. A falta de dados oficiais alimenta a volatilidade esperada nos próximos meses, dependendo da definição de políticas pela China.
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