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Estreito de Ormuz registra vazamento de óleo

Ormuz registra vazamento de óleo com fluxos clandestinos estimados em 2,1 milhões de barris por dia; China corta importações, aliviando a crise global de petróleo

Especialistas alertam que a situação pode piorar, com previsões de aumento nos preços
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  • O tráfego visível pelo estreito de Ormuz é estimado em cerca de 15% do nível anterior à guerra, após três meses de paralisação.
  • Fluxos clandestinos de petróleo atingiram cerca de 2,1 milhões de barris por dia nas duas últimas semanas de maio, somando aos 15,6 milhões diários que passavam pelo estreito antes da guerra.
  • Estima-se que, em maio, 2,9 milhões de barris por dia deixaram o Golfo Pérsico por outros meios, incluindo 2,1 milhões em embarcações que pagavam pedágios a entidades iranianas; cerca de 900 mil barris teriam ido por vias sombrias.
  • A China reduziu significativamente suas importações de petróleo, recorrendo a estoques massivos, o que ajudou a aliviar o aperto.
  • O petróleo Brent caiu para US$ 93 o barril na sexta-feira, mas pode chegar a cerca de US$ 130 em julho e agosto, com projeções de alta na gasolina neste verão.

O estreito de Ormuz segue sob pressão após três meses de conflito, com o tráfego de petróleo ainda muito abaixo do normal. O mercado vive uma fase de volatilidade contida, impulsionada por fluxos incomuns e por mudanças na demanda global.

Especialistas afirmam que a calmaria não significa ausência de risco. O tráfego visível pelo estreito está estimado em 15% do nível anterior à guerra, segundo o JPMorgan. O bloqueio naval permanece, mas o mercado não registrou disparada de contratos futuros até o momento.

Fluxos clandestinos de petróleo aparecem como um dos principais cenários para explicar a contenção de preços, mesmo com o estreito parado. Estimativas da Piper Sandler indicam saídas de cerca de 2,9 milhões de barris por dia de maio, com 2,1 milhões em embarcações supostamente recebendo pagamentos indevidos.

Fluxos clandestinos

Especialistas ouvidos pela CNN Internacional apontam que parte do petróleo pode estar passando pelo estreito com transponders desativados. A estimativa de 2,1 milhões de barris diários envolve embarcações que pareciam pagar pedágios a entidades iranianas, enquanto cerca de 900 mil barris estariam em trânsitos no escuro.

Para o JPMorgan, esses fluxos atuam como amortecedor, reduzindo, ainda que de forma limitada, o impacto da crise no mercado global. A chefe global de estratégia de commodities da instituição, Natasha Kaneva, aponta que ajustes de demanda e estoques maiores atuam juntos para explicar a estabilidade recente.

Outras avaliações sugerem que o total de petróleo que deixou o Golfo Pérsico por vias alternativas pode chegar a 4,5 milhões de barris por dia, principalmente via o Gasoduto Leste-Oeste. Esse canal extrai parte da oferta de exportação saudita.

China reduz importações

A postura da China, maior consumidor global, também favorece a contenção de preços. O país reduziu compras de petróleo bruto e recorreu a estoques massivos para atender a demanda interna. Em meio a isso, os contratos futuros do Brent recuíram para cerca de US$ 93 por barril, ante picos maiores no passado recente.

Analistas destacam que esse comportamento da China, aliado a fluxos alternativos, ajuda a explicar por que a faixa próxima de US$ 100 o barril não se consolidou como sinal de crise extrema. A diferença entre demanda menor e oferta ainda pressionada mantém o cenário volátil.

Projeções de preço e estoque

Porta-vozes do setor indicam que a pressão pode se intensificar caso a demanda siga fraca por mais tempo ou se novos bloqueios impactarem a circulação marítima. Simulações apontam riscos de alta adicional nos preços, mesmo com fluxos não conhecidos plenamente.

Estoque estratégico de petróleo dos EUA (SPR) já mostra sinais de redução acentuada, elevando a preocupação com disponibilidade futura. Economistas avaliam que movimentos do Brent podem ultrapassar a faixa de US$ 130 por barril nos próximos meses, caso persista a restrição de oferta.

A discussão sobre medidas emergenciais e ajustes de consumo permanece aberta. Mesmo com soluções temporárias, analistas alertam para a possibilidade de novas oscilações de preços conforme evoluem os estoques, a demanda e as rotas de abastecimento.

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