- Após a crise dos anos noventa, a Suécia reduziu o peso dos gastos públicos de cerca de 72% para ~50% do PIB em três décadas, reformando a previdência com contas individuais e ajustes automáticos.
- O país abriu setores antes estatais, como educação básica, à iniciativa privada, implantou teto de gastos e metas de superávit, e criou regras para manter a dívida sob controle, em torno de 35% do PIB.
- Essas mudanças ajudaram a retomar o crescimento e a manter a dívida pública em nível relativamente baixo, com ganhos de eficiência nos serviços públicos.
- Em outubro de 2024, seis dos oito partidos concordaram em substituir a regra de superávit por uma meta de orçamento equilibrado (zero), válida a partir de 2027, para liberar investimentos em infraestrutura, transição verde, segurança pública e defesa.
- Pesquisas de início de 2026 mostram vantagem para a centro-esquerda nas eleições de 13 de setembro, com propostas como proibir lucro privado em escolas financiadas pelo Estado e reversão de parte dos cortes de impostos.
Após uma crise econômica no início dos anos 1990, a Suécia passou por reformas profundas no Estado. O gasto público recuou de cerca de 72% para quase 50% do PIB ao longo de três décadas. A previdência foi reformada com contas individuais e ajustes automáticos. Setores antes estatais foram abertos à iniciativa privada, inclusive educação básica, com um arcabouço fiscal rígido.
Essas mudanças ajudaram a colocar a economia em trajetória de crescimento próximo à de economias como a dos EUA. A dívida pública caiu para cerca de 35% do PIB, um nível entre os mais baixos da Europa.
Da era do bem-estar à virada pró-mercado
Na década de 1930, o modelo folkhemmet ampliou serviços públicos para praticamente toda a população, elevando impostos e aumentando o Estado. O crescimento foi impulsionado por educação, saúde e aposentadorias amplas, com a Suécia entre os maiores empregadores do país.
A crise de 1970–1980 expôs custos do modelo estatizante. Início dos anos 1990 mostrou déficit público elevado, inflação e desemprego em ascensão. Bancos faliram, o PIB caiu e a taxa de juros chegou a 500% ao ano.
Reformas que redefiniram o tamanho do Estado
Nos anos 1990 e 2000, governos de centro-direita e centro-esquerda promoveram reformas pró-mercado. Cortes no seguro-desemprego, privatizações, privatizações de saúde e educação, redução de impostos e contas de previdência vinculadas às contribuições. A regra de gasto foi fortalecida para manter o equilíbrio.
O imposto sobre herança desapareceu e a alíquota máxima do imposto de renda caiu para cerca de 50%. O gasto social passou a representar menos de 24% do PIB, menor que em muitos países europeus.
Economia atual e cenário fiscal
Hoje, o gasto público total fica em cerca de 50% do PIB, com gasto social abaixo de 24%. A participação privada na atenção primária de saúde é responsável por quase a metade dos atendimentos, conforme dados de 2024.
Na educação, a competição com o setor privado aumentou a qualidade dos serviços, segundo estudos internacionais. O país projeta crescimento do PIB acima de outras nações europeias, com dívida em torno de 35% do PIB.
Mudanças fiscais e perspectivas políticas
Em outubro de 2024, seis dos oito partidos do Parlamento concordaram em substituir a regra de superávit por uma regra de orçamento equilibrado, com meta zero. A mudança entra em vigor em 2027.
A decisão foi liderada pelo governo de centro-direita de Ulf Kristersson. O objetivo é destravar investimentos em infraestrutura, transição verde, segurança pública e gastos militares de 5% do PIB, segundo a OTAN.
As eleições gerais previstas para setembro devem testar o apoio à agenda. Pesquisas apontam vantagem para a centro-esquerda, embora o Partido Social-Democrata tenha cerca de 32% a 34% das intenções de voto.
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