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Apps chineses desafiam liderança do iFood no Brasil em nova disputa de delivery

99Food e Keeta intensificam aposta no Brasil, com descontos e tecnologia, enquanto o Cade investiga condições de concorrência do iFood

Mercado do país representa uma porta de entrada regional tentadora para marcas globais (Foto: Maira Erlich/Bloomberg)
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  • Apps chineses 99Food, da Didi Global, e Keeta, da Meituan, disputam a liderança do iFood no Brasil, com 99Food relançando o serviço em abril de 2025 e prometendo investir R$ 2 bilhões no primeiro ano; Keeta iniciou em São Paulo em dezembro com planos de investir R$ 5,6 bilhões nos próximos cinco anos.
  • Cade abriu investigação contra a 99Food por possível abuso de posição no setor de entrega de comida; a Keeta afirma que a 99Food impede restaurantes parceiros de assinar com ela e com a Rappi, usando incentivos financeiros.
  • O Cade também abriu investigação contra o iFood por suspeita de descumprimento de acordo de 2023 que limitava contratos de exclusividade com restaurantes; o iFood rebateu e acionou a Keeta por concorrência desleal.
  • O iFood continua com forte atuação, com investimentos diretos de R$ 17 bilhões entre abril de 2025 e março de 2026; a empresa ainda expandiu para o varejo ao comprar participação na Daki e planeja novas parcerias e infraestrutura digital.
  • O mercado brasileiro, com potencial de crescimento, pode chegar a 120 milhões de usuários de delivery em cinco anos; o e-commerce brasileiro já representa 23% do varejo, acima da média da América Latina.

A disputa entre plataformas de entrega de comida no Brasil intensifica-se, com aplicativos chineses desafiando o líder iFood. Em São Paulo, 99Food, da Didi Global, e Keeta, da Meituan, ampliam investimentos para atrair usuários, restaurantes e entregadores, num mercado avaliado em bilhões de reais.

O Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes e forte maturidade digital, aparece como alvo estratégico para expansão regional. A 99Food e a Keeta disputam espaço com o iFood, controlado pela Prosus, buscando ampliar ofertas, descontos e ecossistema de serviços.

Inicio turbulento

A 99Food relançou no Brasil, em abril de 2025, seu serviço de entrega, aproveitando a base de transporte e pagamentos do 99 SuperApp e prometendo investir 2 bilhões de reais no primeiro ano. A Keeta começou a operar em São Paulo em dezembro, com planos de investir 5,6 bilhões nos próximos cinco anos.

No fim de fevereiro, a Keeta adiou o lançamento no Rio de Janeiro e fez cortes de funcionários. Não há data definida para o início das operações na cidade. A velocidade de crescimento da Keeta é marcada pelo aumento de usuários ativos mensais, superando a Rappi em menos de três meses após o lançamento, segundo a Sensor Tower.

Reguladores em foco

O Cade abriu investigações contra a 99Food, em meio a reclamações da Keeta sobre incentivos financeiros para firmar contratos com restaurantes e com a Rappi. A 99Food afirmou seguir o protocolo regulatório para promover concorrência e ampliar ofertas a consumidores e parceiros.

Em maio, o Cade também passou a investigar o iFood por possíveis descumprimentos de acordo de 2023 que limitava contratos de exclusividade com restaurantes. O iFood respondeu afirmando cumprir integralmente os termos do acordo, e acionou a Keeta em uma disputa de concorrência desleal.

Estratégias e perspectivas

Mesmo com o escrutínio regulatório, o iFood mantém forte atuação. Entre 2025 e 2026, a empresa informou investimentos diretos de 17 bilhões de reais. A companhia também passou a investir em parcerias com varejo, farmácias e pet shops, ampliando seu ecossistema digital.

O 99 Food opera dentro do 99 SuperApp, que integra transporte, entregas e serviços financeiros, atingindo mais de 60 milhões de usuários em 3,3 mil cidades. A Keeta, controlada pela Meituan, aponta planos de transformar hábitos de consumo para ampliar a presença digital.

Visão do mercado

Analistas apontam que o Brasil continua atrativo para grandes grupos chineses que desejam ampliar participação no varejo e logística. As plataformas destacam a necessidade de um ecossistema robusto para sustentar o crescimento de usuários e receita.

Entretanto, operadores locais notam a importância de aprimorar embalagens, tecnologia e infraestrutura para atender demanda de restaurantes e entregadores, em um mercado que já envolve diversos players, como Rappi e Uber Eats.

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