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Associação de aéreas vê descarbonização como grande oportunidade

Iata vê descarbonização como oportunidade, mas aponta altos impostos e custos de transição que podem frear demanda e elevar tarifas

Na imagem, Simone Warmbrand Tcherniakovsky, que é gerente regional para o Brasil da associação das empresas aéreas
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  • A representante da Iata no Brasil diz que o país tem uma “oportunidade gigante” de liderar a descarbonização do setor aéreo, se houver incentivos, investimentos massivos e regulação adequada para ampliar a produção de SAF (combustível sustentável de aviação).
  • O Brasil tem potencial para se tornar grande produtor e exportador de SAF, com abundância de biomassa, capacidade de refino e know‑how, mas a transição exige incentivos devido ao custo da mudança.
  • Globalmente, o SAF respondeu por 0,6% do combustível utilizado em 2025; a Iata projeta que chegue a 0,8% em 2026, ainda abaixo das metas setoriais.
  • A América Latina lidera os impostos na aviação (aproximadamente 29% do valor das tarifas), e a reforma tributária de 2023 pode elevar preços de passagens domésticas de US$ 130 para US$ 160 e internacionais de US$ 740 para US$ 935.
  • Além disso, há custos elevados com judicialização (estimados entre 3% e 10% do preço das passagens, cerca de US$ 200 milhões por ano) e gargalos de infraestrutura que afetam conectividade e número de rotas—de 859 em 2019 para 774 em 2025.

A chefe da Iata para o Brasil afirmou que o país tem uma oportunidade gigante de se posicionar nos debates sobre descarbonização do setor aéreo. A declaração foi feita em entrevista ao Poder360, na segunda-feira, 8 de junho de 2026. O foco foi o potencial brasileiro de ampliar a produção de combustível sustentável para aviação.

Segundo Simone Warmbrand Tcherniakovsky, o Brasil reúne condições como abundante biomassa, capacidade de refino e know-how tecnológico, mas demanda incentivos e regulação adequada para reduzir o custo da transição energética. Ela ressaltou que o avanço depende de medidas governamentais que incentivem a produção de SAF.

Descarbonização: oportunidade e desafios

A Iata mostra que o uso de SAF ainda representa parte pequena do consumo mundial. Em 2025, 0,6% do combustível utilizado foi sustentável, com previsão de chegar a 0,8% em 2026. O crescimento está aquém das metas do setor, sinalizando necessidade de políticas públicas mais fortes.

A alta carga tributária na região é destacada pela Iata como obstáculo relevante. A América Latina concentra cerca de 29% do custo das tarifas, frente a 15% na América do Norte. A reforma tributária promulgada em dezembro de 2023 pode ampliar o impacto sobre a demanda de passageiros, com estimativas de queda de até 30% no volume quando as medidas entrarem em vigor.

Simone anunciou que há conversas iniciais entre setor, governo e autoridades para mitigar efeitos financeiros, mas destacou a necessidade de uma interlocução mais aprofundada para planejar o ambiente regulatório.

Impostos, legislação e custos operacionais

A representante da Iata enfatizou que o Brasil precisa de políticas estáveis e leis consistentes para acelerar o crescimento da aviação. Existe preocupação com sinais contraditórios que possam afastar companhias.

Dados da Iata apontam ainda para o custo da judicialização no setor, estimado entre 3% e 10% do preço das passagens, o que representa cerca de US$ 200 milhões anuais. A comunicação com o governo para reduzir esse peso é citada como prioridade.

Infraestrutura, rotas e conectividade

Warmbrand também mencionou gargalos de infraestrutura e a necessidade de ampliar a conectividade. A expansão envolve voos regulares a cidades hoje não atendidas, para sustentar o crescimento nos próximos anos.

Historicamente, o Brasil possuía 859 rotas em 2019; em 2025, o total caiu para 774, uma retração de aproximadamente 9,9%. A estratégia de melhoria de infraestrutura e ampliação de rotas é apontada como crucial para o futuro do setor.

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