- A movimentação de contêineres nos portos brasileiros subiu de 1,2 milhão TEUs em março para 1,3 milhão TEUs em abril, segundo o Observatório de Infraestrutura do IBI.
- O IBI aponta crescimento de 7,7% nos doze meses encerrados em abril, com o Brasil mantendo ritmo próximo do dobro da média global.
- Nas importações, houve expansão de bens de capital (23,7%); nas exportações, cafe verde e algodão atingiram recordes, enquanto carnes, açúcar e celulose ganharam espaço.
- O desempenho ocorre em meio a reorganização de fluxos após tarifas dos Estados Unidos; exportações para lá recuaram, mas houve fortalecimento das vendas para a China, além de Argentina e Índia.
- A tendência de crescimento é associada à cabotagem em expansão, à entrada de máquinas e ao aumento de commodities de maior valor agregado; há expectativa de leilões de terminais de contêineres, incluindo Tecon Santos 10, ainda em 2026.
O movimento de contêineres nos portos brasileiros mudou seu perfil nos últimos meses, impulsionado por cargas de maior valor agregado e por uma reconfiguração das rotas comerciais. Dados do Observatório de Infraestrutura do IBI, obtidos pela CNN, indicam salto de 1,2 milhão de TEUs em março para 1,3 milhão de TEUs em abril. A coleta ocorreu junto aos terminais, já que a Antaq sofreu um ataque hacker em maio e não publicou os números de março e abril.
O estudo aponta ainda que, nos 12 meses encerrados em abril, houve crescimento de 7,7% na movimentação de contêineres, com bases anteriores a fevereiro de 2026 vindas da Antaq. O gerente do Observatório do IBI, Bruno Pinheiro, afirma que o ritmo do Brasil supera a desaceleração global no setor, e tende a se manter por fatores estruturais.
Mudança de perfil e tarifas
Nas importações, bens de capital registraram a maior expansão de 2025, com alta de 23,7%. Nas exportações, itens típicos de contêineres, como café verde e algodão, chegaram a recordes históricos. Ao mesmo tempo, carnes, açúcar e celulose ampliaram presença em mercados externos. A reorganização dos fluxos ocorreu após os impactos das tarifas norte‑americanas anunciadas em 2025.
A retração das exportações para os EUA, de 6,6% em 2025, teve maior queda de 35,4% em outubro, mês do anúncio de tarifas. Mesmo assim, a movimentação portuária brasileira seguiu crescendo, sustentada pela ampliação de relações com a China e pela expansão de vendas para Argentina e Índia.
Qualidade do crescimento e gargalos
O avanço está associado à entrada de máquinas e equipamentos para a indústria e a maior exportação de commodities com maior valor agregado, segundo Pinheiro. O analista reforça a perspectiva positiva para os próximos anos, com a cabotagem em contínuo crescimento há quase uma década.
A expectativa de maior movimentação de contêineres traz a necessidade de ampliar a capacidade instalada dos portos. Entre os desafios, o setor cita gargalos de acessos e a futura Tecon Santos 10, além de três leilões de terminais de contêineres previstos para 2026. Essas licitações seriam as primeiras nesse tipo em uma década.
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