- O Cartão de Todos faturou R$ 6 bilhões em 2025, com 520 clínicas da marca AmorSaúde, atendendo cerca de 8 milhões de famílias (aproximadamente 24 milhões de pessoas).
- O modelo combina mensalidades, rede de descontos com 5.000 empresas e serviços financeiros via fintech Mais Todos; a receita vem, aproximadamente, de 45% das mensalidades, 45% das clínicas e 10% dos serviços financeiros.
- Tales Vilar, filho do fundador, assume a presidência executiva em janeiro; a expansão segue para municípios menores e inclui presença internacional em Bogotá, Santiago e Cidade do México.
- A investida mais recente foi de US$ 1,5 milhão na healthtech Welbe, com foco em integrar prontuários, prescrições e IA na AmorSaúde.
- O principal desafio é a regulação: a ANS passou a atuar mais no setor de cartões de desconto; o Cartão de Todos firmou em 2007 um Termo de Ajustamento de Conduta para separar venda de mensalidades das clínicas.
O Cartão de Todos alcançou faturamento de 6 bilhões de reais em 2025, ampliando sua atuação a 520 clínicas sob a marca AmorSaúde e atendendo cerca de 24 milhões de pessoas. O modelo associa descontos a mensalidades, integrando mais de 5 mil empresas parceiras para reduzir o custo aos usuários.
A empresa nasceu em Ipatinga, sob a liderança de Altair Vilar, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. O negócio começou como clínica própria e evoluiu para um ecossistema com serviços de saúde, financeiro e tecnologia. Nos planos, o grupo mira expansão geográfica e novas parcerias.
Tales Vilar, filho de Altair, assume a partir de janeiro a presidência executiva, com Altair passando a chairman de um conselho com membros independentes. A transição ocorre enquanto a família busca ampliar a rede de clínicas e investir em novas soluções digitais.
A–Mais Todos, fintech criada por Tales, financia tratamentos e evoluiu para plataforma de serviços financeiros, incluindo cashback, pagamentos e crédito via FIDC próprio. O grupo financiou uma rodada de US$ 1,5 milhão na healthtech Welbe, no México, para integrar prontuários e IA na AmorSaúde.
Segundo Tales, 45% da receita vem das mensalidades, 45% das operações clínicas e 10% dos serviços financeiros. A empresa pretende chegar a 550 clínicas neste ano e dobrar de tamanho no médio prazo, com foco em municípios de 80 mil a 100 mil habitantes.
Internacionalização já está em andamento: há três clínicas em Bogotá, uma em Santiago e uma unidade prevista na Cidade do México ainda neste ano. O Cartão de Todos também utiliza crédito com a Capitânia para financiar o crescimento.
Regulação e riscos regulatórios
O motivo estratégico enfrentado pela empresa é a regulamentação do setor. Em 2023, o STJ reconheceu a competência da ANS para regular cartões de desconto em saúde. Em 2024, a ANS iniciou consulta pública sobre o tema, criando um comitê interno para estudar o mercado.
O Cartão de Todos mantém que o modelo não assume risco assistencial nem garantias de cobertura, o que facilita custos menores. Em 2007, a empresa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com a ANS para separar a venda de mensalidades das clínicas prestadoras.
Tales ressalta o interesse da ANS pelo mercado, que, segundo estimativas, atende cerca de 60 milhões de brasileiros. Contudo, ele alerta que regulamentação excessiva pode inviabilizar um modelo de inclusão financeira já utilizado.
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