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Casa mais cara da Grã-Bretanha tem morador sem-teto na varanda

À porta da casa mais cara da Inglaterra, morador de rua revela falhas do mercado imobiliário e a crise de moradia em Londres

‘It’s my pretend reality’ … Anders Fernstedt, a former journalist who has lived outside the property for three years.
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  • 2-8A Rutland Gate, em Knightsbridge, já foi a casa mais cara da Grã-Bretanha, vendida em 2020 por £210 milhões, mas está vazia há anos.
  • Anders Fernstedt, morador de rua que vive há três anos no pórtico do imóvel, monta uma barraca com utensílios e usa garrafas para urinar; descreve a vida como “Everest base camp problems”.
  • A propriedade surgiu da junção de várias casas pelo ex‑billionário Rafik Hariri; após sua morte, passou por outras mãos e permanece desocupada.
  • A titularidade envolve offshores: o suposto dono seria Hui Ka Yan, fundador da Evergrande, mas a casa está no nome da ex‑esposa Ding Yumei, que teve bens congelados e atualmente não pode vender; a empresa Vision Perfect Global Limited a registrou no passado.
  • London e a Inglaterra enfrentam crise habitacional: mais de 300 mil casas vazias na Inglaterra em dois mil e vinte e cinco; Shelter propõe transformar imóveis ociosos em aluguel social para ampliar o acesso à moradia. Fernstedt simboliza o contraste entre riqueza e falta de moradia.

A casa mais cara da Grã-Bretanha fica vazia há anos. 2-8A Rutland Gate, em Knightsbridge, Londres, já foi comprada por 210 milhões de libras em 2020, mas não recebe moradores há longos períodos. Enquanto isso, um morador de rua vive na varanda há três anos.

Anders Fernstedt, ex-jornalista sueco, transformou a varanda em casa. O homem de 55 anos monta um acampamento com guarda-chuvas e itens espalhados pela entrada. Ele utiliza garrafas plásticas para urinar e diz que a vida na rua é “realidade Fantasia” que criou.

A residência já teve salas com banheiros decorados com pedras semipreciosas, lustres de Murano e vapores de Lalique. Os proprietários anteriores, incluindo Rafik Hariri e um príncipe saudita, usaram a propriedade como palácio. Em 2015, todo o conteúdo foi colocado à venda.

Consta que o atual proprietário, segundo a imprensa, é Hui Ka Yan, fundador da Evergrande. A empresa Evergrande enfrentou default de dívidas desde 2021, e Hui responde a processos. A casa está registrada em uma offshore, em território de Ilhas Virgens Britânicas, e a titularidade envolve a ex‑esposa.

A complexa estrutura de propriedade dificultou ações de desapropriação. Com o colapso da Evergrande, surgiram questionamentos sobre o uso de empresas de paraísos fiscais para imóveis de alto valor em Londres. Estudo recente indica crescimento do patrimônio offshore na Inglaterra e no País de Gales.

O entorno de Rutland Gate permanece marcado pela disparidade. Em Londres, quase metade do valor total de imóveis offshore está na capital, e várias áreas concentram a maior parte das propriedades ociosas. O governo aponta a necessidade de políticas públicas para reverter o quadro.

Segundo especialistas, áreas como Westminster, Kensington e Chelsea concentram grande parte do estoque de imóveis vazios. Organizações como Shelter defendem planos para converter imóveis vazios em moradias sociais, reforçando poderes de desapropriação e incentivos para ocupação.

Fernstedt revelou que enfrenta problemas legais e vive com dificuldades de documentação, incluindo a perda do passaporte. Mesmo assim, ele mantém uma rotina que inclui alimentação local, uso de wifi público e a presença de vizinhos que o conhecem há anos.

A história do imóvel e de seu morador ilustra o paradoxo da cidade: palácios vazios ao lado de população em situação de rua. Autoridades e especialistas destacam que soluções passam pela oferta de moradias acessíveis e pelo uso estratégico de imóveis ociosos para fins sociais. Fonte: The Guardian.

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