- A Fitch rebaixou a nota de crédito internacional da Aegea Saneamento de BB- para B+ e a nacional de A+ (bra) para A (bra), mantendo perspectiva estável.
- O ajuste indica maior risco de crédito e eleva o custo da dívida, em um contexto em que a empresa precisa de investimentos pesados no saneamento.
- A agência aponta estrutura financeira frágil, menor flexibilidade de financiamento e desalavancagem mais lenta, com alavancagem estimada em cerca de cinco vezes o Ebitda e dívida líquida acima de quatro vezes.
- A Fitch também vê cobertura de juros apertada, com Ebitda projetado abaixo de duas vezes as despesas financeiras, diante do planos de investimento e de refinanciamentos.
- Problemas de governança e transparência pesam: atraso na publicação de 2025, revisão de números de 2024 e ajustes contábeis; há ainda delações premiadas de executivos e acordo de leniência envolvendo pagamento de R$ 439 milhões à União.
A Fitch rebaixou a nota de crédito da Aegea Saneamento, gigante do setor privado de água e esgoto no Brasil. O rating internacional caiu de BB- para B+, e a nota nacional de A+ (bra) para A (bra) com perspectiva estável. A decisão aponta maior risco de crédito para a empresa.
A agência justificou o rebaixamento por finanças mais frágeis, menor flexibilidade para captação e desalavancagem mais lenta. A avaliação aponta que a dívida deve permanecer elevada nos próximos anos, dificultando a redução do endividamento.
A alavancagem consolidada deve ficar em torno de 5 vezes o EBITDA ajustado, e a alavancagem líquida acima de 4 vezes. A Fitch também citou cobertura de juros apertada, com EBITDA abaixo de 2x as despesas financeiras.
A perspectiva de investimento é de aproximadamente R$ 22 bilhões entre 2026 e 2028, com fluxo de caixa livre negativo estimado em R$ 15,9 bilhões no período. Esses números reforçam o cenário de necessidade de capital para expansão.
Problemas de governança e transparência
A Fitch aponta atrasos na publicação das demonstrações de 2025 e revisões de 2024, com ajustes contábeis. A estrutura do grupo é descrita como complexa e com deficiências na qualidade das informações e nas práticas contábeis.
A avaliação também destaca que, apesar de contratos de longo prazo, demanda estável e ativos diversificados, o endividamento elevado e a concentração de dívida na holding pesam sobre o crédito. A governança é citada como fator limitante.
Delação e impactos
Em fevereiro, reportagem do UOL revelou acordos de colaboração premiada de executivos da Aegea, com delações envolvendo pagamentos de propina para facilitar concessões. O STJ homologou os acordos, que também envolvem acordos de leniência com o Ministério Público Federal.
A empresa informou, por fato relevante, ter firmado acordo de leniência com o MPF, reconhecendo irregularidades até 2018 e comprometendo-se a pagar R$ 439 milhões à União. Os desdobramentos impactam a percepção de governança.
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