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Selic em até 14,25%: impactos para juros, inflação e orçamento 2026

Bancos elevam projeção da Selic ao fim de 2026 para até 14,25%, com cortes limitados ante inflação persistente e choques globais

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  • Bancos e gestoras revisam as projeções de juros: Selic pode terminar 2026 em até 14,25%, com espaço de apenas um corte, e a mediana do Boletim Focus aponta 13,50% para o fim do ano.
  • O cenário externo, com guerra e flexibilização do transporte no Estreito de Ormuz, além de investimentos em inteligência artificial e maior protecionismo dos EUA, influencia as expectativas de inflação e juros.
  • No Brasil, o PIB do primeiro trimestre cresceu 1,1%, e bancos elevam as previsões de crescimento para 2026 entre 2,1% e 2,3%, impulsionados por estímulos fiscais.
  • As projeções de inflação sofrem ajustes, com o IPCA esperado em 5,11% neste ano e 4,03% em 2027; também há revisão para a inflação de alimentos devido ao El Niño.
  • O Copom deve manter postura conservadora em junho; algumas instituições sugerem pausa em 14,0% e o Banco Central americano (Fed) influencia o cenário com cortes limitados no Brasil.

O mercado financeiro revisou para cima as projeções de juros para o fim de 2026, com bancos e gestoras estimando a Selic em até 14,25%, ante 12,25% projetados no início do ano. A taxa atual está em 14,5%, com pouca margem para cortes no curto prazo, conforme o cenário macroeconômico mudou.

A mudança reflete não apenas a inflação, mas também o desempenho da economia no primeiro trimestre, estímulos do governo e fatores externos como o El Niño. Investimentos globais em Inteligência Artificial e a retomada de medidas protecionistas dos Estados Unidos influenciam as expectativas de política monetária. O Boletim Focus desta semana também aponta uma trajetória mais defensiva, elevando a mediana para 13,50% no fim de 2026.

Cenário externo

Conflitos no Oriente Médio, especialmente restrições no Estreito de Ormuz, elevam o risco de preços de energia e impactos em cadeias produtivas. Além disso, gargalos em componentes tecnológicos acompanham os investimentos globais em IA, pressionando custos. A reprecificação de juros vem acompanhando a inflação global mais persistente e déficits fiscais maiores.

Analistas destacam que nos EUA o payroll de maio acima das expectativas pode sustentar a possibilidade de alta de juros por lá, o que influencia fluxos de capitais para o Brasil. A gestão de risco cambial e juros passa a depender de como governos e bancos centrais administram esses choques externos.

Cenário doméstico

No Brasil, a inflação de serviços permanece resiliente diante de um mercado de trabalho ainda apertado, com desemprego entre 5,5% e 5,8%. O PIB do primeiro trimestre avançou 1,1% na margem, levando Itaú e BNP Paribas a revisarem suas previsões de crescimento para 2,1% e 2,3% em 2026, respectivamente.

Programas de estímulo fiscal, como o Desenrola e linhas para renovação de frotas, seguem elevando o impulso fiscal, com estimativas de pacote de até 200 bilhões de reais. O Bank of America aponta que a atividade econômica continua sustentada por crédito e estímulos, mas a recuperação de investimentos não é clara como trajetória estrutural.

Riscos de oferta associam-se ao El Niño, que pode pressionar alimentos e serviços. Nesse contexto, bancos revisaram previsões de inflação doméstica, com projeções de IPCA variando entre 5,4% e 5,5% em 2026, dependendo da instituição. A inflação de núcleo de serviços aparece como fator de pressão adicional.

Limites para cortes do Copom

As expectativas para as próximas reuniões de política monetária são conservadoras, com espaço reduzido para cortes na próxima rodada de junho. Diversos bancos já projetam Selic em 14% ou 13,5%, com trilha de cortes limitada ao longo de 2026.

Alguns bancos defendem manter a taxa em 14,0% já no curto prazo, enquanto outros veem a possibilidade de apenas mais um recuo de 0,25 ponto-base antes de estabilizar. A visão de que a inflação permanecerá mais alta por mais tempo sustenta esse tom mais cauteloso.

A visão de cenário externo e doméstico somados contribui para a percepção de que o fim de 2026 pode ser atingido com Selic entre 13,75% e 14,25%, dependendo da dinâmica de inflação, desempenho fiscal e estímulos. O debate sobre quando encerrar o ciclo permanece em aberto entre as instituições.

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