- Tarifa média de voos nacionais em abril foi de R$ 669,41, alta de 9% em relação a abril de 2025.
- O querosene de aviação subiu mais de 40%, chegando a R$ 5,40 por litro, conforme a Anac.
- O combustível representa cerca de 40% dos gastos das companhias aéreas.
- Azul cortou cerca de 5% da capacidade com ajustes de malha e de frequência de voos.
- Latam prevê redução de 3 pontos percentuais na capacidade no terceiro trimestre; expectativa é manter preços elevados por meses, mesmo com possível acordo entre Irã e EUA.
O preço das passagens aéreas no Brasil segue em nível elevado, conforme dados da Anac, com a tarifa média de voos domésticos em abril chegando a R$ 669,41, alta de 9% frente a abril de 2025. O aumento ocorre mesmo com expectativa de arrefecimento de conflitos no Oriente Médio, segundo executivos do setor. A queda de demanda não impede, porém, que as companhias mantenham preços altos.
O custo com combustível é apontado como principal motor da elevação dos preços. O QAV — querosene de aviação — subiu mais de 40% nos últimos meses, atingindo R$ 5,40 por litro. O combustível representa cerca de 40% das despesas das empresas aéreas, pressionando balanços e tarifas. A Anac aponta o cenário como acelerador da elevação de preços.
Ajustes de capacidade e ofertas
A Azul informou que já cortou até 5% da capacidade devido ao aumento do preço do combustível. A estratégia inclui ajuste de malha, redução de rotas e diminuição da freqüência de voos, afetando principalmente trajetos entre grandes hubs, como São Paulo e Curitiba. A empresa ressalta que o impacto alcança voos domésticos e internacionais.
A Latam prevê redução de 3 pontos percentuais na capacidade no terceiro trimestre, em comparação com a previsão anterior. Mesmo com possível acordo entre EUA e Irã, o CEO Jerome Cadier aponta que os preços do QAV devem permanecer elevados por 6 a 12 meses. A solução, segundo ele, passa por ajustes de tarifas e oferta.
Repercussões e perspectivas
A Iata afirma que a margem líquida do setor fica em torno de 4% e que não há como as companhias absorverem o alto custo do combustível. Assim, aumenta a tendência de elevar tarifas para manter a viabilidade. O abastecimento de QAV continua pressionando custos operacionais.
A Gol também reconhece o cenário como desafiador, destacando que os impactos exigem soluções multifacetadas, incluindo reajustes de preços e de oferta. A companhia afirma atuar com diligência comercial para minimizar impactos aos passageiros, sem detalhar cortes de rotas.
Considerações finais
Especialistas indicam que a recuperação de demanda depende da estabilização dos preços do petróleo e do combustível. A relação entre tarifa, custos e oferta permanece central para o ritmo de recuperação do setor nos próximos meses. A Anac continua monitorando o mercado para atualizar dados e orientações aos consumidores.
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