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Cooperativa vinícola mais antiga do Brasil busca sair da lógica das commodities

Nova Aliança, a cooperativa vinícola mais antiga do Brasil, mira vinhos finos e espumantes para ampliar margens e reduzir dependência de suco como commodity

Cooperativa tem plano de investir R$ 10 milhões para 2026, com foco em modernização industrial e turismo
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  • A Nova Aliança, a cooperativa vinícola mais antiga do Brasil, está reestruturando o negócio para priorizar marcas próprias, vinhos finos e espumantes, reduzindo a atuação como fornecedora para terceiros.
  • A mudança visa ampliar margens ao substituir a lógica de commodity do suco de uva por portfólio com maior valor agregado.
  • A cooperativa processa entre 35 e 49 milhões de quilos de uva por ano, com capacidade de até 60 milhões de quilos; o estoque armazenável fica próximo de 50 milhões de litros.
  • O plano inclui ampliar a equipe de vendas de quatro para trinta pessoas até o fim do ano, além de investir em pessoas e rede de representantes para acessar mais mercados.
  • O conjunto de medidas já resultou em EBITDA positivo em 2024 pela primeira vez em oito anos, com expectativa de triplicar esse resultado em 2025, além de alongar o prazo da dívida e reduzir custos.

A Nova Aliança, a cooperativa vinícola mais antiga do Brasil, avança com uma reestruturação para reduzir a dependência de suco de uva e de atividades para terceiros. A mudança mira valorizar marcas próprias e ampliar vinhos finos e espumantes.

Segundo o CEO Heleno Facchin, o plano está em curso desde a safra de 2023. A cooperativa, com 96 anos de história, envolve mais de 600 famílias de viticultores e atua como processadora de 35 a 49 milhões de quilos de uva por ano, cerca de 5% a 7% da produção nacional.

A capacidade instalada é de 60 milhões de quilos, com volume atual em torno de 45 milhões. A armazenagem atinge quase 50 milhões de litros. A reestruturação busca reduzir ociosidade e diluir custos fixos por meio de maior volume e uso mais eficiente do mix.

O ponto de inflexão foi a constatação de que a lógica da commodity pressionava margens. O suco, produto volátil, tende a competir por preço, o que exigia ticket mais alto e maior escala de venda. Assim, a cooperativa passa a priorizar portfólio com maior valor agregado.

O reposicionamento envolve aumentar o peso de vinhos finos e espumantes. Facchin afirma que o volume de espumantes dobrou, contribuindo para o crescimento da receita. O DNA da empresa continua ligado a bebidas não alcoólicas, porém com equilíbrio entre portfólio alcoólico e não alcoólico em 2030.

A estratégia prevê sair de parte da produção para terceiros e ampliar o protagonismo da marca própria. Anteriormente, parte significativa da produção era destinada a garrafas com marcas de terceiros. A Nova Aliança pretende operar com maior presença direta no consumidor.

Para sustentar a transição, a empresa aposta menos em instalação pesada de aço e mais em equipe de vendas e pessoas. O quadro comercial, que era de quatro profissionais no país, deve chegar a 20 este ano, com meta de 30 até o fim de 2026.

Plano financeiro e investimentos

A reestruturação inclui reorganização financeira com melhoria de endividamento. Facchin afirma que 2024, apesar de uma safra fraca, registrou o primeiro EBITDA positivo em oito anos. A projeção para 2025 é triplicar esse resultado.

O endividamento passa por alongamento de prazo para até dez anos e redução do custo da dívida, que caiu mais de 30% mesmo com juros altos. A proporção entre curto e longo prazo também foi ajustada.

O plano de investimentos para 2026 soma R$ 10 milhões, com foco em modernização industrial e turismo. Nos últimos três anos, foram investidos cerca de R$ 15 milhões em envase e equipamentos, incluindo prensas contínuas com retorno estimado em até dois anos.

Além disso, a Nova Aliança está criando um espaço voltado à experiência do consumidor, com o conceito de uma vinícola boutique. O projeto tem orçamento estimado entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões.

A receita atual está em torno de R$ 240 milhões. A projeção indica avanço de 50% até o fim da década, mantendo o suco como base da operação, porém com melhor qualidade e maior rentabilidade.

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