- Clientes denunciavam que serviços de telemedicina vendiam GLP-1s com cobrança não autorizada, incluindo uma cobrança inicial de membro e envio de medicamentos não solicitados.
- Em março, a autora da matéria relatou ter sido cobrada $866 e receber uma supply de tirzepatide sem ter pedido, sem checagem de cobertura de seguro.
- A Justiça dos Estados Unidos pediu o congelamento de ativos da Zealthy, Inc. e designação de um receptor judicial; decisão ainda não saiu.
- Quaisquer práticas de telemedicina são alvo de preocupação, incluindo prescrição via questionários sem contato direto com profissional e políticas de cancelamento pouco claras.
- A FTC está avançando regras sobre o chamado “negativo option” (consentimento tácito para cobranças) em telemedicina, enquanto autoridades avaliam transparência de preços e consentimento do paciente.
O jornalismo registra falhas em serviços de telemedicina que vendem GLP-1s e outros medicamentos para emagrecimento, vendendo planos e enviando remédios sem consentimento claro do paciente. Em meio a denúncias, o governo dos EUA anunciou ações contra a empresa Zealthy/FitRx por práticas de telemedicina consideradas perigosas.
A reclamação central envolve usuários que assinam serviços online, fornecem dados de pagamento e recebem, sem solicitação, itens como tirzepatida em dosagens trimestrais, com cobranças elevadas. Em vários casos, clientes relatam dificuldades para cancelar ou obter reembolso após o envio dos produtos.
O episódio descrito por um usuário ocorreu em março, quando foi cobrado rapidamente de forma indevida, recebendo uma suposta prescrição para medicação enviada sem necessidade. A cobrança, envio imediato e políticas de cancelamento rígidas foram apontadas como principais falhas.
Os relatos indicam que a empresa utiliza um modelo de venda que não exige confirmação adicional do paciente antes de faturar. A transferência de remessas é acompanhada de uma resistência de atendimento ao cliente, que dificulta o cancelamento de encomendas e o cancelamento de cobranças.
Na prática, a doença envolve um setor com grande faturamento potencial: o mercado online de medicamentos para emagrecimento cresceria significativamente nos próximos anos, com estimativas de crescimento anual de dois dígitos e alcance possível de dezenas de bilhões de dólares. Autoridades regulatórias acompanham o tema com cautela.
Ações legais e regulatórias também aparecem em pauta. O Departamento de Justiça pediu a indisponibilidade de ativos da Zealthy e a nomeação de um administrador judicial, enquanto investigações apontam práticas de telemedicina inseguras e a possível violação de leis de prestação de serviços de saúde a distância.
Regulação e desdobramentos
A Federal Trade Commission avalia regras para modelos de telemedicina com uso de opções negativas, que envolvem consentimento por inação do consumidor para cobranças automáticas. Enquanto isso, tribunais e autoridades de saúde discutem se as consultas devem ocorrer presencialmente ou por meio de entrevistas digitais com maior transparência de custos.
Especialistas ouvidos destacam a necessidade de maior transparência em prescrições, além de confirmar se as interações médico-paciente ocorreram de forma válida. Questionamentos sobre a eficácia de questionários sem atendimento direto com profissional de saúde são recorrentes entre juristas e pesquisadores.
Além disso, figuras públicas ligadas ao setor de emagrecimento online relatam experiências diversas com plataformas de telemedicina, incluindo relatos de clientes que se reuniram em comunidades online para compartilhar incidentes e orientações sobre como proceder.
No caso do próprio relato, a experiência do autor revela a fragilidade de controles: após contatar a empresa na condição de jornalista, houve uma reversão parcial da política de reembolso, restando dúvidas sobre influências externas. O episódio reforça a necessidade de cautela ao contratar serviços de telemedicina com ofertas de baixo custo.
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