- Vinte e dois dos 29 principais bancos europeus trabalham no desenvolvimento de stablecoins ligadas ao euro, buscando maior independência financeira e uso em pagamentos via blockchain.
- A Société Générale lançou a EUR CoinVertible (EURCV) em abril de 2023, mas a capitalização atual é de € 118 milhões, muito abaixo de stablecoins em euro da Circle (€ 390 milhões) e da Tether (€ 161 mil milhões).
- O consórcio Qivalis já reúne 37 bancos, com participação relevante de bancos espanhóis, mirando lançar a stablecoin no segundo semestre de 2026.
- Outros esforços incluem a EUROD, criada pelo grupo Oddo, e o EUR.BANK, da Bancomat, com nove bancos italianos; BNP Paribas participa tanto do Qivalis quanto da iniciativa internacional liderada pelo Santander.
- O Banco Central Europeu avança com Pontes e Appia, projetos para pagamentos transnacionais tokenizados, reconhecendo os riscos das stablecoins e destacando a importância de manter o dinheiro público como âncora.
O grande conjunto bancário europeu acelera a criação de stablecoins lastreadas no euro, buscando maior autonomia em pagamentos frente aos EUA. Várias instituições trabalham em projetos distintos, com metas próximas de lançamento.
Entre os projetos, destaca-se o consórcio Qivalis, que reúne 37 bancos, com forte participação espanhola. A meta é lançar a stablecoin europeia na segunda metade de 2026, reduzindo a dependência de moedas em dólar para transações transfronteiras.
Outra iniciativa vem da Société Générale, pioneira no euro, com a EUR CoinVertible lançada em 2023. A moeda ainda tem captação pequena comparada a players como Circle e Tether, refletindo a fase inicial do mercado na Europa.
O grupo Oddo, francês, anunciou em 2023 a stablecoin EUROD, ligada ao euro, buscando ampliar o ecossistema de pagamentos com moedas estáveis. O avanço ocorre paralelo aos esforços do BCE em oferecer infraestruturas tokenizadas.
Bancomat, rede interbancária italiana, trabalha na EUR.BANK, envolvendo nove instituições italianas. A proposta visa emitir uma stablecoin em euros e integrar-se ao sistema bancário de forma interoperável.
Intesa Sanpaolo, Banca Sella, BPER e Unicredit atuam em dois trilhos: o consórcio Qivalis e a iniciativa italiana de Bancomat. BNP Paribas também participa de ambas, bem como em parceria internacional com Santander.
A lógica central é facilitar pagamentos mayoristas, transações entre bancos e liquidação de grandes operações na blockchain. O objetivo é reduzir fricções frente às soluções dominantes em dólar.
As stablecoins em dólares, emitidas por Tether e Circle, dominam o mercado e concentram liquidez necessária para operações amplas. A pressão geopolítica e a tokenização das infraestruturas estimulam a busca por euros com liquidez suficiente.
O BCE avança com Pontes e Appia, para pagamentos e transações tokenizadas de alto valor. A entidade planeja oferecer liquidação em infraestrutura de blockchain com euros tokenizados já na segunda metade deste ano.
Autoridades lembram os riscos: as stablecoins exigem supervisão estável para evitar impactos na política monetária. A mensagem pública é manter o dinheiro público como referência do sistema.
Isabel Schnabel, do BCE, aponta que a resposta mais sólida envolve manter o dinheiro público como âncora do sistema financeiro. O debate envolve segurança, regulação e liquidez no ecossistema europeu.
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